As empresas aéreas tentam de tudo para diminuir os prejuízos em um período em que a demanda está muito abaixo do normal. Segundo um levantamento da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), que reúne 290 empresas no mundo, os custos unitários precisam ser reduzidos em cerca de 30% para atingir o ponto de equilíbrio financeiro neste ano. A receita global das aéreas deve cair 51% na comparação com 2019, devido a pandemia do coronavírus. Com o orçamento desabando os esforços tem sido redobrados para cortar gastos.

De acordo com a Iata, mesmo se o desembolso com a folha de pagamento fosse reduzido pela metade não seria suficiente para as companhias apresentarem lucro. No terceiro trimestre, as despesas unitárias aumentaram 40% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. As que tem suas operações baseadas em países do hemisfério sul sofrem ainda mais. Segundo o especialista em aviação, Roberto Peterca, grande parte dessas nações tem suas moedas mais fracas frente ao dólar, e é o caso do Brasil.

“A receita da aviação é em real, enquanto a maioria das suas despesas, como peças que necessitam ser trocadas periodicamente, tem seu custo em dólar. Então essa diferença entre é, de certa forma, o maior impacto que as empresas sofrem”, avalia. Segundo a entidade o cenário de recuperação do setor aéreo mostra-se demorado. O turismo de negócios não deve voltar ao normal pelo menos nos próximos dois anos especialmente pelas reuniões e tratativas online que tem ocorrido com certo êxito. Vale destacar que o turismo de negócios é o mais rentável e o principal gerador de receitas para aquelas que atuam no ramo. No Brasil, responde por cerca de 60% do faturamento.

*Com informações do repórter Daniel Lian