O dólar disparou nesta quarta-feira, 28, em meio ao clima de incertezas no mercado financeiro global gerado pela aproximação das eleições nos Estados Unidos e o avanço da segunda onda do novo coronavírus na Europa. Próximo das 11h30min, a moeda-norte americana avançava 1,11%, cotada a R$ 5,74, após encostar em R$ 5,79 — o maior valor desde maio. Ontem, a moeda fechou a R$ 5,68, com alta de 1,25%. O Ibovespa, o principal índice de bolsa de valores brasileira, recuava 2,78% e voltou próximo aos 97 mil pontos. O dólar recuou no meio da manhã após intervenção do Banco Central (BC), que injetou mais de US$ 1 bilhão no mercado por meio de leilão. No Brasil, os investidores estão de olho na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que vai divulgar no fim da tarde a taxa de juros da economia. A previsão do mercado é que a Selic se mantenha em 2%, o menor patamar da história.

O mercado também está atento nas articulações em Brasilia para a apresentação do Orçamento de 2021 e os esforços do Ministério da Economia em avançar a agenda de reformas. Ainda não há datas certas para a apresentação dos textos complementares das mudanças tributárias e na administração pública, e a opinião de lideranças é que as matérias sejam encaminhadas somente após o segundo turno das eleições municipais, em 29 de novembro — menos de um mês para o recesso parlamentar.

Depois de atingir o recorde de R$ 5,90 em 13 de maio, a moeda norte-americana entrou em processo de arrefecimento até bater R$ 4,85 no início de junho.O constante avanço da moeda nos últimos meses fez com que analistas vislumbrem a quebra da barreira histórica dos R$ 6 antes do fim do ano.  O pessimismo é reflexo de uma “tempestade perfeita” no mercado cambial, formada pela taxa de juros mais baixa da história, a retomada de medidas de isolamento social em diversos países para conter o repique da Covid-19, além das incertezas no governo federal em manter a responsabilidade fiscal.