As recentes declarações de apoio do presidente Jair Bolsonaro ao candidato a Donald Trump, candidato à reeleição nos Estados Unidos, podem afetar os interesses econômicos do país. A avaliação é do advogado e ex-embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta sexta-feira, 06, Amaral avaliou as consequências da provável vitória de Joe Biden para o Brasil e ressaltou a necessidade de uma diplomacia que atenda aos interesses dos brasileiros. “A tradição da diplomática dos países é de evitar intervenções no processo politico interno de outros países. É um jogo muito arriscado porque se o Trump ganhasse, a relação com o Bolsonaro se fortaleceria [após a declaração de apoio]. Agora, isso vai tornais mais difícil o relacionamento com os Estados Unidos e com o novo governo”, afirma. “O governo tem que estar atendo com as implicações dos seus atos para os interesses da economia. Nós temos que pensar sobretudo quais são os interesses brasileiros que essa diplomacia deve atender”, completa.

Segundo o ex-embaixador, embora acredite que o democrata, pessoalmente, não irá impor medidas contra o governo brasileiro, ele reforça que Biden deve sofrer pressões de diferentes grupos para que tome ações visando conter o desmatamento na Amazônia. “Ele está sujeito a pressões do grupo ambientalista, muito em forte em sua campanha, a pressões do Congresso e da opinião pública. Se juntar essa forte presença ambientalista com outra onda verde que está se manifestando na Europa, poderemos ter pressões e medidas, inclusive na área comercial, contra o Brasil nas questões ambientais“, pontua. Considerando o cenário internacional e as críticas já proferidas por Joe Biden às políticas ambientais brasileiras, Sérgio Amaral defende que o governo demonstre determinação no combate ao desmatamento na Amazônia. “Se não tomarmos algumas medidas vamos sofrer problemas. A questão ambiental não é simplesmente o governo querer ou não [fazer]. Ela é a grande utopia do século XXI, é a questão que vai prevalecer.”

Para resolver essa imagem internacional, “medidas concretas” devem ser adotadas, assim como uma mudança na política externa do Brasil, que traga maior clareza e demonstre que o país está “determinado a enfrentar o problema” ambiental. “Precisamos de uma política externa com princípios mais definidos que atendam aos interesses do Brasil. Se vamos fazer esse ajustamento porque o Biden vai ganhar ou não é outra questão”, afirma. Para o fim da disputa eleitoral americana, Sérgio Amaral pontua que o pleito já está praticamente definido, embora sofra chances de judicialização e possa ser questionada na Suprema Corte do país. Até o momento, Joe Biden segue com 253 delegados, enquanto Donald Trump soma 214 votos eleitorais na disputa. A possível divulgação do resultado no estado de Geórgia nas próximas horas pode definir a eleição americana e declarar o Biden como o 46º presidente dos Estados Unidos.