Quase oito meses depois do início da pandemia a Inglaterra coloca em prática nesta sexta-feira (6) o prometido sistema de testagem em massa da população para Covid-19. A primeira cidade escolhida para a fase de testes é Liverpool, no norte do país. Os cerca de 500 mil habitantes da região terão acesso a testes rápidos de forma contínua nas próximas semanas — mesmo quem não tem sintomas. Os resultados serão divulgados em apenas 20 minutos e não haverá necessidade de envolver laboratórios no procedimento.

Dois mil militares vão ajudar no esquema, que instalou centros de testagem em escolas, universidades e casas de repouso. Liverpool foi escolhida para o programa piloto, entre outros motivos, por ser um dos principais focos de Covid-19 na Inglaterra. Com 330 casos a cada 100 mil pessoas, a cidade foi a primeira a ser colocada em quarentena antes mesmo do lockdown nacional. A expectativa do governo é que os testes em massa ajudem a reduzir a necessidade de manter o país em isolamento.

Um estudo da universidade de Oxford a ser divulgado nos próximos dias, mas antecipado pela BBC, aponta que para evitar que uma única pessoa se contamine por Covid-19 é preciso isolar outras mil, se o método principal for o lockdown. Esse número cai drasticamente com os testes rápidos — isolando duas ou três pessoas que testaram positivo já seria o suficiente para evitar uma nova contaminação. O nível de precisão destes testes, no entanto, é significativamente menor que os testes PCR.

Mas os especialistas do governo britânico apontam que a velocidade dos resultados e a capacidade de poder testar cidades inteiras repetidas vezes acabam balanceando este ponto. A China já vem fazendo este tipo de esquema há bastante tempo e teve resultados importantes para conter a pandemia por lá. O Reino Unido teve na quinta-feira mais de 25 mil casos novos de Covid-19 em 24 horas, além de cerca de 500 mortes causadas pela doença.