A crise gerada pelo novo coronavírus e a forte desvalorização do real ante o dólar devem tirar o Brasil do exclusivo grupo das 10 maiores economias do mundo em 2020, segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulo Vargas (Ibre-FGV). Os pesquisadores Marcel Balassiano e Claudio Considera levaram em consideração dados divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para estimar o encolhimento da economia no próximo ano. De acordo com as previsões, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro reduzirá, em dólares, 28,3% no próximo ano, saindo de US$ 1,8 trilhão em 2019 para US$ 1,4 trilhão em 2020. O tombo jogará o país do atual 9º lugar para a 12ª colocação das economias mais pujantes do globo, sendo ultrapassado pelo Canadá, Coreia do Sul e Rússia.

Este será o pior resultado ao Brasil em anos. Em 2011, o país estava na 7ª colocação, posto que manteve até 2014, quando estourou a recessão. Entre 2015 e 2016 o Brasil caiu para o 8º lugar, e no ano seguinte regrediu para a penúltima posição das 10 maiores economias. A lista para 2020 continua liderada pelos Estados Unidos (US$ 20,8 trilhões), na frente da China (US$ 15,2 trilhões), Japão (US$ 4,9 trilhões), Alemanha (US$ 3,8 trilhões) e Reino Unido (US$ 2,6 trilhões). A segunda metade é puxada pela Índia (US$ 2,6 trilhões) seguida pela França (US$ 2,6 trilhões), Itália (US$ 1,8 trilhão), Canadá (US$ 1,6 trilhão) e Coreia do Sul (US$ 1,6 trilhão). A Rússia, na 11ª colocação, deve somar PIB de US$ 1,5 trilhão.

Apesar de agravar a situação, a pandemia da Covid-19 não é totalmente responsável pela retração nacional. Segundo o estudo, mesmo sem a disseminação da doença, a década atual seria a com o pior desempenho econômico nos últimos 120 anos. Entre os anos de 2011 e 2020 o crescimento será nulo. Os pesquisadores ainda citam a volta do país ao déficit primário em 2014, após 16 anos de maior lucro do que prejuízo nas contas. A dívida pública também passou de 50% do PIB em 2013 para 75% em 2018. Para este ano, o Banco Central estima que o índice chegue a 96% de todas as riquezas produzidas no país. “O problema é que o Brasil já estava num patamar alto antes do coronavírus. Incertezas fiscais sobre teto dos gastos, programa social pós- auxílio emergencial, reformas, tudo isso aumenta
o risco e a incerteza, impactando no câmbio. Isto é, essa forte desvalorização cambial, aumento do risco, são reflexos dos problemas brasileiros”, afirma os pesquisadores.

A economia brasileira tombou 9,7% no segundo trimestre deste ano, o pior desempenho da história para o período. Somado com a queda dos três primeiros meses do ano, o país encerrou o semestre com recudo de 5,9% na soma de todas as riquezas produzidas em relação a igual período de 2019, também o resultado mais baixo já registrado. Em outubro, o FMI revisou a queda do PIB brasileiro para queda de 5,8%, ante estimativa de recuo de 9,1% em junho. Apesar do cenário menos pessimista, a autoridade monetária estima que o país terá recuperação mais lenta que os pares emergentes.