Na última semana antes do primeiro turno das eleições municipais, a campanha de Márcio França, candidato do PSB à Prefeitura de São Paulo, vai explorar a vitória do ex-governador contra João Doria (PSDB) na capital paulista durante as eleições para o governo do estado em 2018. À época, apesar de ter sido derrotado, França obteve mais votos que o tucano na cidade de São Paulo. As propagandas que serão divulgadas no horário eleitoral gratuito também irão rememorar todas as propostas de França, com foco na importância da geração de emprego e na recuperação da economia no cenário de pós-pandemia do novo coronavírus. Internamente, a equipe vive a expectativa de que a pesquisa Ibope, que será divulgada nesta segurança-feira, 9, consolide ainda mais seu nome como candidato mais competitivo para enfrentar o prefeito Bruno Covas (PSDB) em um eventual segundo turno. Pesquisa Datafolha divulgada na última quinta mostrou um empate técnico entre França e os candidatos Celso Russomanno (Republicanos) e Guilherme Boulos (PSOL).

“O mais importante na comunicação de uma campanha política é o planejamento feito lá no começo. Se você faz um bom planejamento, você segue até o fim. Fizemos um bom projeto, apoiado em bons temas, e o resultado está aparecendo. Nas pesquisas internas, o Márcio França está bem mais na frente, mas elas são menores [em número de pessoas entrevistadas], então isso demora para aparecer no Ibope e no Datafolha. [Expectativa para a pesquisa Ibope desta segunda] É que França suba ainda mais. Russomanno [candidato do Republicanos] está em queda livre, basta abrir a boca para perder votos. Boulos [PSOL] está no seu máximo, porque as eleições anteriores mostram que a esquerda, PT, PSOL, PCdoB, chegam a 20%, e esse patamar já foi alcançado somando os números de Tatto [PT] e Orlando Silva [PCdoB]. Esperávamos que o PT crescesse mais, tirando votos do próprio Boulos, isso é o que mostram nossas pesquisas. Mas Márcio está em trajetória ascendente e por isso estamos confiantes”, disse Raul Cruz Lima, publicitário da campanha, à Jovem Pan.

A pesquisa Datafolha também mostrou que 49% dos eleitores de Russomanno podem mudar seu voto – seguido por 37% de Bruno Covas, 36% de Jilmar Tatto e 22% de Guilherme Boulos. Para o publicitário, a tendência é que o ex-governador de São Paulo se beneficie de votos vindos do PSDB e do Republicanos. “O voto no PT e no Boulos é mais ideológico. Se Boulos perder voto, ele tende a ir para o PT e vice-versa. Como estamos no centro, pegamos voto de Covas ou Russomanno, a tendência natural é esta. Mas se vier da esquerda será muito bem-vindo”, avalia. O publicitário também credita o crescimento às vésperas do primeiro turno ao baixo índice de conhecimento do nome de Márcio França entre o eleitorado paulista – segundo o Datafolha, 44% não conhecem o número do candidato do PSB. “Esta é uma consequência de trabalhar com um candidato mais ou menos desconhecido. Demora um tempo para que lembrem quem ele é, para que associem sua imagem às suas propostas. O que percebemos é que as pessoas se lembram do Márcio França por conta de dois episódios: os debates contra João Doria em 2018 e sua atuação na greve dos caminhoneiros. Por isso a aposta no olho no olho, de fazê-lo aparecer o tempo todo, falando de seu programa de governo, sem terceirizar a ninguém, como Russomanno faz com Bolsonaro, por exemplo”, afirma Cruz Lima.

Ao longo da campanha, Márcio França se colocou como um candidato de centro, avesso ao radicalismo. Os coordenadores da candidatura avaliam que este é um dos trunfos do nome do ex-governador junto ao eleitorado paulista. “Em um país tão polarizado como o Brasil, em que se fala muito de direita e esquerda, trabalhar e ocupar o centro é mais complicado. O que é o PSB para as pessoas? É comunismo? Por que acenou ao Bolsonaro? A ideia é trabalhar com o bem-estar social, saúde e educação de qualidade, dar oportunidade para as pessoas. Essa é a base do socialismo na Europa. A campanha tentou, até aqui, mostrar que o Márcio França está no centro, com um pé na esquerda, mas, se comparado com PT e Boulos, está no centro. Esse entendimento está acontecendo agora, as pessoas começam a entender agora que França conversa com todos, tem bom trânsito com vários setores e que não irá governar para amigos”, diz o publicitário.