Nesta terça-feira (10), Manuel Merino foi nomeado presidente interino do Peru. Ele ocupará o cargo até 28 de julho de 2021, quando entregará o poder ao vencedor das eleições gerais que acontecerão três meses antes. Em seu discurso, ele afirmou que seu primeiro compromisso é “restaurar a democracia e seguir com o processo eleitoral”. O empresário e político de 59 anos é o terceiro presidente peruano em um período de quatro anos. Líder do Congresso, Merino assume após Martín Vizcarra sofrer um impeachment sob acusação de “incapacidade moral” na segunda-feira (9). O processo demorou cerca de dois meses e começou com a denúncia de que o ex-presidente teria recebido propinas em 2014, quando ainda era governador da região de Moquegua.

O Peru possui uma sequência de presidentes acusados de crimes.  O antecessor de Vizcarra, Pedro Pablo Kuczynski Godard, também sofreu um impeachment por receber propinas da construtora brasileira Odebrecht e acabou renunciando ao cargo. Omanta Humalla, que governou o país entre 2011 e 2016, foi preso por corrupção e lavagem de dinheiro. Alan García, que ficou no poder entre 2006 e 2011, cometeu suicídio ao saber que seria preso por um esquema de corrupção que envolvia, mais uma vez, a Odebrecht. Alejandro Toledo, presidente entre 2001 e 2006, também foi acusado de receber suborno da construtora brasileira e está preso nos Estados Unidos. Alberto Fujimori, líder do país entre 1990 e 2000, é constantemente mencionado como ex-ditador e é suspeito de ter perseguido, sequestrado e matado opositores.