O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou o discurso feito pelo presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, 10, durante evento para a retomada do Turismo no Brasil. Além de ter dito que a pandemia da Covid-19 foi “superestimada”, Bolsonaro afirmou que o Brasil precisa “deixar de ser um país de maricas” e “enfrentar o assunto de peito aberto”. O presidente também criticou a ameaça do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, de que o Brasil sofrerá consequências econômicas caso não haja uma atuação mais firme para combater o desmatamento e as queimadas na Amazônia. “Depois que acabar a saliva tem que ter pólvora. Não precisa nem usar a pólvora, mas tem que saber que tem”, disse.

“Entre pólvora, maricas e o risco à hiperinflação, temos mais de 160 mil mortos no país, uma economia frágil e um estado às escuras. Em nome da Câmara dos Deputados, reafirmo o nosso compromisso com a vacina, a independência dos órgãos reguladores e com a responsabilidade fiscal”, escreveu Maia na noite desta terça. “E a todos os parentes e amigos de vítimas da covid-19 a nossa solidariedade”, completou o presidente da Câmara. Desde o início da pandemia, Bolsonaro e Maia já se alfinetaram diversas vezes por discordâncias em vários assuntos, como o isolamento social e o pacote financeiro de auxílio a estados e municípios.

Enquanto Bolsonaro manteve o silêncio sobre a vitória de Biden, Maia parabenizou o democrata. “A vitória de @JoeBiden restaura os valores da democracia verdadeiramente liberal, que preza pelos direitos humanos, individuais e das minorias. Parabenizo o presidente eleito e, em nome da Câmara dos Deputados, reforço os laços de amizade e cooperação entre as duas nações”, escreveu no Twitter.

Discurso

Em discurso nesta tarde, Bolsonaro afirmou que os problemas decorrentes da pandemia aconteceram porque não deixaram o “líder” trabalhar. “Minha vida aqui é uma desgraça, eu não tenho paz para absolutamente mais nada”, disse. “O que faltou para nós não foi um líder, foi que não deixaram o líder trabalhar”, continuou. O presidente também criticou o Congresso e o chamou de “uma corrente forte de esquerda, uma corrente de atraso, corrente para dividir o que é dos outros”. “Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas. Olha que prato cheio para a imprensa. Prato cheio para urubuzada que está ali atrás. Temos que enfrentar de peito aberto, lutar. Que geração é essa nossa?”, disse, ainda, durante a fala.

Além disso, Bolsonaro reagiu à ameaça do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, de que o Brasil sofrerá consequências econômicas caso não haja uma atuação mais firme para combater o desmatamento e as queimadas na Amazônia. “Assistimos há pouco um grande candidato a chefia de Estado dizendo que, se eu não apagar o fogo da Amazônia, ele vai levantar barreiras comerciais contra o Brasil”, afirmou. “Apenas pela diplomacia não dá”, emendou Bolsonaro, lançando a “pólvora” na relação entre os dois países.