Após a euforia causada pela eleição de Joe Biden nos Estados Unidos e o anúncio da Pfizer sobre a eficácia de 90% da sua vacina contra o novo coronavírus, o mercado financeiro começa a se voltar ao noticiário doméstico. A dura realidade das contas públicas e a falta de definição quanto a agenda de reformas fazem o dólar oscilar de forma volátil nesta quarta-feira, 11, enquanto a Bolsa de Valores brasileira opera estável. Próximo das 11h45, a moeda norte-americana registrava queda de 0,36%, cotada a 5,395. Antes, ela chegou a subir 0,65%. Na máxima, a divisa alcançou R$ 5,456, enquanto na mínima não passou dos R$ 5,381. Na véspera, influenciada pelo alerta do ministro da Economia, Paulo Guedes, para o risco de hiperinflação, o dólar encerrou a R$ 5,393, com alta de 0,04%. Na segunda-feira, 9, a moeda chegou a bater a mínima de R$ 5,225.

Já o Ibovespa, o principal índice da B3, operava em leve alta de 0,17% no fim da manhã desta quarta, aos 105.200 pontos. Nesta terça, o índice fechou aos 105.067 pontos, com alta de 1,5%. Com ganhos pela sexta sessão seguida, o indicador está no maior nível desde 29 de julho. Somente nos últimos seis pregões, o índice subiu 12,15%. O cenário brasileiro não consegue acompanhar o otimismo dos mercados internacionais. Na Europa, a grande parte das bolsas opera em alta, enquanto os mercados asiáticos fecharam sem direção única. Por conta do Dia dos Veteranos, o mercado dos EUA está fechado nesta quarta.

Nesta terça, o chefe da equipe econômica do governo federal fez um alerta sobre o risco da disparada da inflação brasileira caso não haja um rolamento suave das contas públicas brasileiras. Em outubro, o IPCA, indicador oficial da inflação nacional, chegou a 0,86%, com alta de 3,92% nos últimos 12 meses, ainda abaixo do centro da meta de 4% perseguida pelo Banco Central (BC). Guedes também externou a sua frustração de não ter avançado nas promessas de privatização feitas durante a campanha de Jair Bolsonaro (sem partido). A falta de perspectivas com o avanço das pautas que criam gatilhos ao teto de gastos, mudanças nos sistemas tributário e administrativo, além do próprio orçamento para o próximo ano, deixam os investidores em atenção quanto a capacidade do governo em evitar a disparada dos gastos públicos no próximo ano.