O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, 12, durante o Encontro Nacional do Comércio Exterior, que o comércio mundial “sem viés ideológico” seria o elemento chave para integrar o Brasil na economia mundial. Em vídeo gravado, o presidente declarou que o seu governo está empenhado na melhoria do ambiente de negócios e de investimentos no país para “aumentar a participação do Brasil nas cadeiras globais de valor”. Segundo ele, o modelo de concessões e privatizações em curso tem um “grande potencial e está eliminado a burocracia para atrair mais investimentos privados no setor de infraestrutura.” O ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou, porém, estar “bastante frustrado” por não ter conseguido vender nenhuma estatal em quase dois anos de governo Bolsonaro.

O presidente classificou a reforma da Previdência e as medidas voltadas à contenção de despesas públicas como um compromisso da sua gestão em “solucionar dificuldades geradas pelas chamadas despesas obrigatórias”. Em seguida, afirmou que está promovendo uma “abertura comercial sem precedentes na história do Brasil”. “Estamos construindo um Brasil mais aberto, mais competitivo e mais próspero, eliminando custos e removendo entraves para o setor produtivo”, disse ao declarar que o comércio exterior desempenha um papel fundamental no processo. Bolsonaro elencou alguns acordos como o Mercosul e União Europeia como exemplo. “No âmbito do Mercosul, fechamos acordos de livre comércio com a União Europeia e com a Associação Europeia de Livre Comércio”, contou. O presidente também informou que o país está negociando com a Coreia do Sul, Singapura e Canadá. “Na Organização Mundial do Comércio (OMC), trabalhamos para o acesso do Brasil ao Acordo Sobre Compras Governamentais, que busca promover a abertura do mercado de contratações públicas em todos os países signatários. A participação do Brasil nesse acordo permitirá que as empresas brasileiras passem a concorrer, sob condições de igualdade, em um mercado de cerca de 1 trilhão e 700 bilhões de dólares ao ano em compra governamentais”, explicou. 

Agronegócio

Sobre o agronegócio, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que tem incentivado a atuação dos ministérios de forma “transversal e coesa”. “O Itamaraty e o Ministério da Agricultura falam a mesma língua e, juntos, têm alcançado resultados claros e concretos”, disse. “Desde o início de 2019, conseguimos acesso ao mercado de 30 países para cerca de 100 produtos agropecuários brasileiros, além da habilitação de 700 plantas frigoríficas para exportação”, informou o presidente, que disse que, apesar da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus, o Brasil registrou recorde em exportações, em volume e em valor. “O Brasil é altamente competitivo no agronegócio. Estejamos atentos à concorrência, que fará de tudo para conter a nossa participação no mercado internacional”, declarou sem mais detalhes sobre quem seria a concorrência. “Por isso, os agentes que promovem nossos produtos no exterior devem trabalhar de forma ágil e convergente. Defender o agronegócio brasileiro significa garantir o crescimento sustentável e o emprego no Brasil.”

Não é a primeira vez que o presidente cita a “concorrência” que tenta “prejudicar” o agronegócio brasileiro. A fala pode ser uma indireta ao presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, que afirmou que aplicará sanções ao Brasil caso o governo não diminua os altos índices de queimadas e desmatamento na Amazônia. Logo em seguida, Bolsonaro começou a falar sobre a política ambiental brasileira. “Outro fator essencial para a integração competitiva da economia brasileira é o desenvolvimento sustentável da nossa Amazônia”, declarou o presidente, que nega veemente os dados sobre desmatamento na floresta. Na Assembleia Geral da ONU, Bolsonaro disse que o Brasil é “vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre Amazônia e Pantanal“, em relação a informações sobre desmatamento ilegal e queimadas nas áreas. Segundo Bolsonaro, há um movimento para descreditar o Brasil porque o país está se tornando o líder mundial em produção de alimentos, e a “campanha” é “escorada em interesses escusos” e tem o apoio de associações brasileiras que querem “prejudicar o governo”. Em relação à Amazônia e à política ambiental brasileira, Bolsonaro também troca farpas com o o presidente da França, Emmanuel Macron. “Por princípio ético e questão de justiça, os 20 milhões de cidadãos que lá vivem devem ser integrados nas cadeias de produção e do comércio exterior do Brasil”, declarou. “O desenvolvimento da bioeconomia na região amazônica, cujos programas se encontram em processo de implementação, permitirá o uso sustentável dos inúmeros recursos da região.”