Um dos parlamentares mais próximos ao presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Marco Feliciano (Republicanos-SP) subiu o tom contra o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão. Em uma publicação em seu perfil no Twitter, o pastor reagiu à declaração de Mourão, que reconheceu a vitória do democrata Joe Biden nas eleições dos Estados Unidos, e o chamou de “conspirador”. “O General Mourão nos envergonha! Conspirador, desde o 1º dia de governo tenta minar autoridade do presidente Jair Bolsonaro fazendo declarações à imprensa desdizendo o presidente. Oportunista, sempre que vê o presidente com flanco aberto, ataca sem piedade. Quer tomar o lugar do chefe”, disse. Nesta sexta-feira, 13, Hamilton Mourão afirmou que “como indivíduo” reconhece a vitória de Biden. Também acrescentou que acredita que a vitória do democrata está “cada vez mais irreversível”.

No último sábado, o Biden atingiu o número mínimo de 270 representantes necessários para levar o Colégio Eleitoral.  A eleição de Joe Biden foi confirmada após o triunfo no Estado da Pensilvânia, que deu ao democrata 273 delegados eleitorais. A apuração dos votos ainda está em andamento, mas Biden já soma 290 delegados, enquanto Donald Trump tem 217. Apesar dos números, o presidente Jair Bolsonaro se recusa a comentar os resultados e parabenizar o democrata pela vitória. Bolsonaro é um dos únicos líderes mundiais a se manter em silêncio. A China reconheceu oficialmente os resultados das eleições dos EUA projetados pela imprensa americana nesta sexta-feira, quase uma semana após Biden ter declarado vitória.

Em outro tuíte, Feliciano relembrou o pedido de impeachment que apresentou contra Mourão em abril de 2019 – a petição foi arquivada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dias depois. Na ocasião, o deputado federal, que já foi cotado para compor a chapa ao lado de Bolsonaro em uma eventual candidatura à reeleição em 2022, argumentou que a “deslealdade” do vice perante o presidente poderia ser enquadrada como crime de responsabilidade. “As críticas e contraditas são sempre públicas, de um lado demonstrando falta de unidade (o que é manifestamente prejudicial ao país) e de outro evidenciando a deslealdade do vice-presidente para com o seu companheiro de chapa”, escreveu à época. Nesta sexta-feira, Feliciano diz ver “o quão certo” estava em relação ao general. “Quando eu protocolei pedido de impeachment do General Mourão, poucos entenderam. Passados quase 2 anos e muitas traições depois, vejo o quão certo eu estava. Se um homem não consegue ser leal, não precisa ser mais nada. Sigo fechado com meu líder e amigo Jair Bolsonaro”, publicou.