O ex-ministro da Defesa, Raul Jungmann, garante que as Forças Armadas brasileiras não participam de nenhum governo. A declaração, feita ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, neste sábado, 14, reforça o tom adotado pelo comandante do Exército Edson Leal Pujol, que afirmou, em live do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa, que os militares não querem “fazer parte da política governamental ou política do Congresso Nacional e muito menos que a política entre em nossos quartéis”. Jungmann considera que a declaração de Pujol foi oportuna. “As instituições estão fora da politica, são do Estado, não queremos estar no Congresso Nacional, não queremos fazer parte do governo. Portanto, uma afirmação firme, oportuna para desfazer qualquer mal entendido”, disse. “As Forças Armadas não participam de nenhum governo, elas estão voltadas para a defesa da nação brasileira”, garantiu.

O debate sobre a presença e o papel militar no governo ganhou forças na última semana após as declarações do general Edson Leal Pujol. Na ocasião, o comandante reforçou o Exército não tem partido político e “não muda a cada quatro anos”. “Não temos partido, nosso partido é Brasil. Independente de mudanças ou permanências de um determinado governo pro um período longo, as Forças Armadas cuidam do país, da nação, elas são instituições de Estado permanentes. Não mudamos a cada quatro anos a nossa maneira de pensar e de como cumprir as nossas missões”, disse. O posicionamento recebeu apoio do presidente da República, Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira, 13, assim como do vice-presidente, general Hamilton Mourão. Ambos reforçaram a independências das Forças Armadas quanto aos governos. “Política não pode estar dentro do quartel, se entra a politica pela porta, a disciplina e hierarquia sai pelos fundos”, disse Mourão, reforçando a ideia: “Não admitimos política nos quartéis”.

Ainda a respeito das Forças Armadas, Raul Jungmann comentou a fala presidencial do “uso de pólvora” e a repercussão da declaração para as instituições, que viraram motivos de memes nas redes sociais após a afirmação de Jair Bolsonaro. “O presidente cometeu uma frase infeliz. De fato, não faz sentido um chefe de Estado dizer para outra nação que acabou a diplomacia e vamos para pólvora. Com relação as Forças Armadas, não são as redes que vão diminuí-las. A função é defender a pátria, o Brasil, o povo, os recursos, a nossa história e cultura e o nosso desenvolvimento. Na internet, território livre, as pessoas se sentem muito a vontade [para falar o que querem]. Mas as Forças Armadas continuam tendo altíssima aprovação e respeito do povo brasileiro”, disse. Jungmann, ao ser questionado sobre a expressiva presença de militares no governo Bolsonaro, disse que cabe ao Congresso Nacional estabelecer “certos limites”. “Se o Congresso não assume a responsabilidade de estabelecer limites, não há o que dizer. O que se espera é que as pessoas indicadas para cargos de autoridade tenham preparo técnico adequado.”