O vice-presidente da república, general Hamilton Mourão, concorda com a posição do comandante do exército de que as Forças Armadas devem se manter afastadas da política. Na quinta-feira, o general Edson Leal Pujol disse que os militares não querem ter ação política e que o eventual chamado para ocupação de cargos no governo é uma opção do Poder Executivo. Nesta sexta, 13, Mourão lembrou que os próprios regulamentos dizem que ao militar é vedada a participação em eventos políticos partidários. “Política não pode estar dentro do quartel, se entra a politica pela porta, a disciplina e hierarquia sai pelos fundos, o comandante coloca claramente a nossa posição. A política tem paixões, então você vai ter caras do partido A, outro do partido C, então acaba levando a uma discussão que termina em causar divisões.”

O vice-presidente nega que a declaração do comandante do exército tenha relação com críticas recentes feitas por ex-membros da corporação ao governo e ao próprio presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a posição do general Pujol, de defender que as forças armadas permaneçam afastadas da política, é a mesma há quase 60 anos.  Mourão reconhece, no entanto, que de maneira geral, é difícil reconhecer essa separação com tantos militares com cargos no governo federal. “Nós que somos da reserva é uma outra situação. Os militares da ativa, esses realmente não podem estar participando nisso [política]. A nossa legislação foi mudada no período de 64, porque o camarada era eleito, participava de processo eleitoral e depois voltava para dentro do quartel, isso não era salutar.”

É bom lembrar que a declaração do comandante do exército e as criticas do ex-membros da corporação acontecem em meio a um claro afastamento entre o presidente e o vice. No início da semana, Bolsonaro afirmou em entrevista que ambos não têm tratado sobre qualquer assunto. Nesta quinta, o presidente chamou de delírio um documento do Conselho da Amazônia, que é presidido por Mourão, que sugeria a expropriação de terras onde foram cometidos crimes ambientais. Na ocasião, disse que quem levantasse essa ideia perderia o cargo no governo, a não ser que fosse indemissível, em clara referência ao vice-presidente da república.

*Com informações do repórter Antônio Maldonado