Na esteira das declarações do Comandante do Exército, general Edson Pujol, e do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, sobre o envolvimento das Forças Armadas com a política, o Ministério da Defesa divulgou, na manhã deste sábado, 14, uma nota conjunta, assinada também pelos comandantes da Marinha, da Aeronáutica e do Exército, na qual reafirma a característica apartidária das Forças e ressalta que o único representante político destas instituições que integra o governo federal é o ministro da Defesa, Fernando Azevedo. O texto também diz que o presidente Jair Bolsonaro “tem demonstrado, por meio de decisões, declarações e presença junto às tropas, apreço pelas Forças Armadas, ao que tem sido correspondido”.

“Os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, quando se manifestam, sempre falam em termos institucionais, sobre as atividades e as necessidades de preparo e emprego das suas Forças, que estão voltadas exclusivamente para as missões definidas pela Constituição Federal e Leis Complementares”, diz um trecho da nota, acrescentando que “o único representante político das Forças Armadas, como integrante do Governo, é o ministro da Defesa”. Na quinta-feira, 12, o general Edson Pujol afirmou, em uma live do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa, que os militares não querem fazer parte da política, tampouco que a política entre nos quartéis. “Não queremos fazer parte da política governamental ou política do Congresso Nacional e muito menos que a política entre em nossos quartéis”. No atual governo, além do presidente Jair Bolsonaro e do vice Hamilton Mourão, nove dos 23 ministros vieram dos quartéis. Na sexta-feira, 13, Mourão endossou a declaração de Pujol e afirmou que “política não pode estar dentro do quartel”. “Se entra a politica pela porta, a disciplina e hierarquia saem pelos fundos, o comandante coloca claramente a nossa posição. A política tem paixões, então você vai ter caras do partido A, outro do partido C, então acaba levando a uma discussão que termina em causar divisões”.

O vice-presidente nega que a declaração do comandante do exército tenha relação com críticas recentes feitas por ex-membros da corporação ao governo e ao próprio Bolsonaro. Segundo ele, a posição do general Pujol, de defender que as forças armadas permaneçam afastadas da política, é a mesma há quase 60 anos.  Mourão reconhece, no entanto, que de maneira geral, é difícil reconhecer essa separação com tantos militares com cargos no governo federal. “Nós que somos da reserva é uma outra situação. Os militares da ativa, esses realmente não podem estar participando nisso [política]. A nossa legislação foi mudada no período de 64, porque o camarada era eleito, participava de processo eleitoral e depois voltava para dentro do quartel, isso não era salutar.”