O prefeito Bruno Covas (PSDB), que tenta a reeleição, disputará o segundo turno das eleições municipais contra o candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos. Apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) desidratou ao longo das pesquisas e ficou fora do segundo turno pela terceira vez consecutiva. Outro dado importante é que esta é a primeira vez desde 1985 que o PT, que lançou Jilmar Tatto, não termina o pleito nas duas primeiras colocações – mesmo em 2016, quando João Doria (PSDB) foi eleito em primeiro turno, o candidato petista, Fernando Haddad, ficou em segundo lugar. O segundo turno das eleições ocorrerá no dia 29 de novembro. Após a divulgação da pesquisa de boca de urna, o entorno de Tatto jogou a toalha e reconheceu que não havia chances do partido chegar ao segundo turno. Líderes petistas esperam se reunir com Boulos nesta segunda-feira, 16, para traçar a estratégia para as próximas duas semanas.

Pesquisa Ibope de boca de urna, divulgada minutos depois do fechamento das urnas mostrou Bruno Covas com 33% dos votos válidos, seguido por Boulos, com 25%, Márcio França, com 13%, e Russomanno, com 8%, numericamente empatado com Arthur do Val (Patriota) e Jilmar Tatto. Atual prefeito da cidade, Bruno Covas ultrapassou Celso Russomanno nas pesquisas e se isolou na liderança da corrida pela Prefeitura de São Paulo. Com uma coligação de dez partidos, o tucano tinha o maior tempo de televisão no horário eleitoral. Boulos, por sua vez, tinha apenas 17 segundos. Em entrevista à Jovem Pan, Covas atribuiu o crescimento nos levantamentos ao fato de a sua campanha ter tratado sobre “temas da cidade”. “Esta tem sido a estratégia desde o início. A população quer saber de remédio, vaga em creche, geração de emprego. É isso que surte efeito. A cidade não quer saber de terceiro turno da eleição presidencial de 2018 ou antecipação de 2022″, disse. Boulos, por sua vez, apostou na estratégia de criticar o “Bolsodoria”, em alusão ao presidente Jair Bolsonaro e ao governador de São Paulo, João Doria, aliados na eleição presidencial de 2018 que romperam politicamente no ano passado. Embora Boulos não tenha falado publicamente sobre o voto útil de esquerda, notadamente o do PT, o candidato do PSOL afirmou reiteradamente que sua candidatura era a que tinha maiores condições de representar o campo progressista no segundo turno. À Jovem Pan, Boulos disse que a cidade de São Paulo não pode ser um “puxadinho do Palácio do Planalto ou do Palácio dos Bandeirantes“.

Para o segundo turno, a campanha de Covas espera ampliar ainda mais seu arco de alianças na capital. Duas das siglas que estão no radar dos tucanos são o PSD, de Andrea Matarazzo, e o Republicanos. “No último debate [promovido pela TV Cultura], Matarazzo não atacou Bruno, o que nos faz crer que o PSD pode nos apoiar. Russomanno não indo ao segundo turno, o Republicanos deve apoiar também. Isso tudo cria um cenário favorável para a reeleição do prefeito”, disse um correligionário do prefeito à Jovem Pan, na sexta-feira, 13. Boulos, por outro lado, espera contar com o apoio do PT, do PCdoB e do PDT. Nos últimos dias antes do primeiro turno, Jilmar Tatto foi pressionado por uma ala do partido a desistir de sua candidatura e acenar para a campanha do psolista. Ele resistiu e apostou suas fichas em uma arrancada na reta final impulsionado pelo voto petista nas periferias.