Neste domingo, 15, novos protestos contra o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, resultaram na prisão de pelo menos 550 pessoas. As informações são da ONG Vesná, que afirma que os números do balanço ainda podem aumentar ao longo do dia – há uma semana atrás, foram mil presos. O site de notícias independente TUT.by indica, ainda, que muitas pessoas ficaram feridas na capital Minsk depois que agentes das forças de segurança começaram a utilizar bombas de efeito moral. A violência e as prisões contra os manifestantes tomaram conta do país no dia 9 de agosto, após a reeleição de Lukashenko, que está no poder desde 1994. No dia 12 de outubro, a União Europeia fechou um acordo que estabelece sanções contra o presidente e outras autoridades de Belarus pela manipulação das eleições e pela repressão brutal aos protestos que se seguiram.

Localizada na Europa Oriental, Belarus aparenta ser um exemplo no que diz respeito aos índices de desenvolvimento humano, com taxa de mortalidade infantil baixa (2,9), taxa de alfabetização altíssima (99%) e um dos menores coeficientes de Gini – um indicador de desigualdade pelas Nações Unidas – de todo o continente. Porém, o professor de relações internacionais Manuel Furriela explica que há uma grande repressão política no país, onde a maior parte da população passa por privações na aquisição de bens de consumo e dificilmente consegue ascender socialmente. O agravante, segundo o especialista, é que “durante as eleições, o mesmo governante é eleito sucessivamente e há sempre graves acusações internacionais de fraudes para manutenção do sistema político”.