O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disse que os indícios de irregularidades nas doações de campanha para as eleições de 2020 somam mais de R$ 588 milhões. A informação foi obtida por um levantamento realizado pelo Núcleo de Inteligência da Justiça Eleitoral e divulgada pelo TSE nesta terça-feira, 24. Em comparação à última atualização, realizada em 16 de novembro, foi identificado um aumento de R$528 milhões. Um dos motivos apontados pelo órgão para explicar o crescimento é a utilização da base de dados do governo federal, o que levou a um acréscimo no número de ocorrências e nos valores.

O número de fornecedores que possuem beneficiários do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial saiu de 1.289 para 31.725 após a atualização. Em termos de valores, houve crescimento de R$ 940 mil para mais de R$ 386 milhões. Também foram encontrados 7.985 fornecedores com empresas cujo quadro societário possui pessoas filiadas a partidos políticos. O aumento foi de R$ 3,3 milhões para R$ 68,7 milhões. Além disso, o número de doadores sem emprego formal foi de 12.437, resultando em R$ 44 milhões. Outro ponto levantado foram doações incompatíveis com a renda dos doadores, ultrapassando R$ 23 milhões. Por fim, foram registrados 24 doadores que estão no Sistema de Controle de Óbitos (Sisobi) no valor de R$ 36.194,50.

O trabalho de identificação dos indícios de irregularidades é feito pelo TSE e por outros seis órgãos federais. São eles: Receita Federal do Brasil (RFB), Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ministério Público Eleitoral (MPE), Departamento de Polícia Federal (DPF), Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério da Cidadania (MC). Os resultados foram encaminhados aos tribunais e cartórios e compartilhados com parceiros do TSE.