Na disputa pela vacina da Covid-19, ter dinheiro na mão deve fazer pouca diferença, pelo menos no começo. Isso porque a rede privada espera receber as primeiras doses do imunizante apenas no segundo semestre do ano que vem e no início de 2022. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas, todas as negociações iniciais estão sendo feitas com os governos. Geraldo Barbosa ressalta que só depois dessa etapa, quando já houver um excedente de produção, as clínicas particulares serão atendidas. “A gente está mantendo conversa com toda a indústria. É correto a indústria destinar a primeira produção para atender todos os governos. Éticamente, a gente não ia achar certo você ter uma vacina no mercado privado se tem uma demanda enorme no mundo para ser distribuida gratuitamente para a população. Primeiro a gente tem que alcançar esse desafio enorme de vacinar esse público.”

O presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas também alerta para a importância de manter o calendário de vacinação em dia para não haver sobrecarga no futuro. “A gente tem vacinas disponíves na rede pública e não estamos conseguindo atingir cobertura vacinal. Então essa lógica de priorizar grupos de maior risco, essa lógica vai ter que ser”, comenta. Geraldo Barbosa reforça que nenhuma vacina contra o coronavírus disponível no Brasil colocará em risco a saúde da população. “Os estudos, por mais que eles tenham sido feito de forma acelerada, eles respeitaram todos os protocolos. O que teve foi investimento muito alto que a gente nunca viu na história, a gente nunca viu tanta indústria envolvida na produção dessa vacina. A população pode ficar segura, que a vacina não vai colocar ninguém em risco se ela for aprovada”, diz. Segundo Barbosa, as clínicas possuem tecnologia necessária para transporte e armazenagem das vacinas da Pfizer e da Moderna, que precisam ser mantidas em baixíssimas temperaturas. No futuro, se o governo brasileiro optar por não distribuir estas vacinas por causa da logística envolvida, a rede privada poderá oferecer uma alternativa aos produtos da Oxford e da Sinovac.

*Com informações da repórter Letícia Santini