O cenário externo com a expectativa por vacina contra o novo coronavírus e a aprovação de um pacote de estímulos fiscais nos Estados Unidos fez o dólar bater mínima de R$ 5,125 no início das negociações desta sexta-feira, 4. Momentos depois, a moeda norte-americana recuperou o fôlego e passou a subir. Às 11h30, a divisa avançava 0,042%, a R$ 5,161. Nesta quinta, 3, o dólar fechou com queda de 1,94%, cotado a R$ 5,140. Este foi o patamar mais baixo da divisa desde 22 julho, quando encerrou o dia cotada a R$ 5,116. O bom humor nos mercados internacionais também impulsiona a Bolsa de Valores brasileira. O Ibovespa, principal índice da B3, avançava 1,01%, aos 113.422 pontos. O pregão da véspera encerrou com alta de 0,37%, aos 112.291 pontos.

A semana caminha para encerrar com os investidores mantendo a propensão ao risco após a divulgação de planos para iniciar campanhas de imunização contra o novo coronavírus na Europa e nos Estados Unidos. Autoridades do Reino Unido autorizaram em caráter emergencial a vacina desenvolvida pela Pfizer em parceria com o laboratório BioNTech. Segundo o premiê Boris Johnson, a campanha de imunização deve iniciar na próxima semana. Também está no radar as negociações entre a farmacêutica e o órgão regulador de medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) para a liberação do imunizante. Por outro lado, pesa o avanço da pandemia em territórios norte-americanos e países europeus. Nesta quinta, os EUA registraram  recorde de 2.907 mortes por Covid-19, enquanto a Itália alcançou a marca inédita de 993 mortes em 24 horas. O mercado também acompanha as negociações no Legislativo dos EUA para a aprovação de um pacote de estímulos fiscais na casa dos US$ 900 bilhões para reforçar a maior economia do mundo em meio ao repique da pandemia.

No cenário doméstico, os investidores estão apreensivos com o risco do maior descontrole das contas públicas e as negociações no Congresso para aprovação de reformas estruturantes. Nesta quinta, o IBGE divulgou avanço de 7,7% do Produto Interno Brasileiro (PIB) no terceiro trimestre de 2020, após dois períodos seguidos de retração. Apesar dos sinais de recuperação, o número veio aquém do esperado pelo governo e analistas do mercado. Investidores também acompanham a votação no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode liberar a reeleição dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM) e as consequências aos acordos entre o governo federal e o Legislativo para fazer andar as pautas econômicas.