Este Natal será o primeiro em que a jornalista Leda Orsi vai passar apenas com o marido. Normalmente, cerca de quinze pessoas da família dela se reúnem num sítio, no interior de São Paulo, para celebrar a data. Mas, diante do aumento no número de casos de Covid-19 no país, o casal desistiu de ficar com o restante da família. “A gente tem que fazer não só pela gente, mas pelos outros também. Então não é cuidado apenas com a gente, mas com todo mundo, com todas as pessoas, sejam elas da família ou não”, diz. Manter o isolamento social continua sendo a principal recomendação dos especialistas, que estão preocupados as festas de fim de ano. O infectologista Jamal Suleiman recomenda que apenas as pessoas que já convivem diariamente se reúnam. “Se você já convive com a pessoa todos os dias, você minimiza o risco, não elimina. Se não convive, aumenta esse risco de forma exponencial”, pontua. Para o médico, o Ano Novo tende a ser ainda mais perigoso. “Costuma ser uma festa de intensa aglomeração, não necessariamente familiar, você encontra amigos e incorpora contingente maior de pessoas.”

No início da pandemia, o músico Alfredo de Boer e a nutricionista Maíra Vieira criaram o projeto Correio Musical, para tentar aproximar as pessoas apesar do distanciamento físico. O trabalho foi intenso, principalmente, no Dia das Mães, quando as medidas de restrição estavam mais rígidas. Com o passar dos meses, a demanda diminuiu, mas eles eles acreditam que vai voltar a aumentar neste fim de ano, já que algumas cidades, como as do estado de São Paulo, voltaram a endurecer as restrições. “Com a chegada do Natal e essa coisa de saber que houve retrocesso, a gente tem uma boa expectativa de que vai ter muito Correio Musical de novo”, avalia. Nesta semana, o governador de São Paulo, João Doria, do PSDB, chegou a dizer que medidas legais poderão ser aplicadas se houver aglomerações nas festas de fim de ano. O estado regrediu para a fase amarela do Plano São Paulo na quarta-feira, 02.

*Com informações da repórter Nicole Fusco