O ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho, também coronel da reserva da Polícia Militar, avalia que a alta mortalidade por bala perdida no Rio de Janeiro é resultado de treinamento precário, falta de padrão e de supervisão. “Um levantamento consta que 12 crianças morreram de bala perdida neste ano no Estado. Em São Paulo não temos nenhum caso. É um problema institucional, do policial ou da situação em si? Mil portes de bandido não valem a morte de uma criança inocente”, disse. “O Rio de Janeiro tem características muito próprias de segurança pública. Só lá tem, nessa dimensão, boa parte do território dominado por milícias. Ter 100 mortes por bala perdida em um ano é descontrole não só dos bandidos, mas também da polícia.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, José Vicente afirmou que, no caso específico do assassinato de Emily e Rebeca na última sexta-feira, 4, em Duque de Caxias, vai ser apurado quem vitimou as duas crianças. De acordo com testemunhas, havia um carro da Polícia Militar no local e apenas os oficiais teriam atirado. Ele deu como exemplo a morte de Ágatha Felix no Complexo do Alemão, em 2019. “Policial atirou e não se deve atirar em fuga. Qual o treinamento, qual o padrão? A PM do RJ não tem padrão de atuação. Em São Paulo tem cerca de 200. No Rio, o treinamento é precário, não tem supervisão. Em São Paulo, policial nunca atira em quem está se mexendo porque a possiblidade de precisão é precária. Essa é a primeira preocupação, preservar vidas. Seja na Polônia ou no Alemão.”

De acordo com o ex-secretário nacional, quando acontece um caso como está os envolvidos são afastados da corporação mesmo enquanto as circunstâncias são apuradas, para que eles não atuem. A partir da identificação da arme que saiu o tiro fatal, eles podem ser indiciados criminalmente após uma análise de todo o conjunto da situação. “Não teve confronto, mas teve mais de 10 tiros. A perícia é necessária. E ele pode até ser condenado por atirar em um local com uma movimentação como aquela. A perícia vai avaliar”, finalizou.