O dólar fechou em queda nesta segunda-feira, 7, em um dia marcado pelo anúncio que o estado de São Paulo deve começar a vacinação contra a Covid-19 em janeiro e com as atenções voltadas para Brasília após o Supremo Tribunal Federal (STF) barrar a possibilidade de reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado na mesma legislatura. No cenário internacional, o otimismo foi contido pelo retorno das tensões entre os Estados Unidos e a China e a possibilidade cada vez mais real de um Brexit sem acordo. Na outra pronta, a proximidade de um pacote bilionário para a economia dos EUA impulsionaram os investidores ao risco. A moeda norte-americana fechou o primeiro dia da semana com recuo de 0,02%, a R$ 5,123. A divisa chegou ao piso de R$ 5,057, enquanto a máxima não passou de R$ 5,170. Este foi o menor valor do dólar desde o dia 22 de julho e manteve o viés desvalorização da moeda ante o real acompanhada ao longo das últimas semanas. Depois de atuar acima dos 114 mil pontos durante a maior parte do dia, o Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira, seguiu o clima de cautela no exterior e inverteu o sinal. O pregão fechou com recuo de 0,14%, aos 113.589 pontos.

Os investidores reagiram de forma positiva ao anuncio de que o estado de São Paulo pretende iniciar a imunização da população contra o novo coronavírus em 25 de janeiro de 2021. O cronograma prevê a aplicação da CoronaVac, vacina desenvolvida pela chinesa Sinovac em colaboração com o Instituto Butantan, em duas doses separadas por um intervalo de 21 dias. A fase 1 de vacinação vai priorizar profissionais de área da saúde que estão na linha de frente contra a doença, indígenas, quilombolas e os idosos com mais de 60 anos. Apesar do anuncio do governador João Doria (PSDB), a CoronaVac precisa ser aprovada pela Anvisa para ter a sua distribuição liberada no país. O mercado também acompanha com cautela os efeitos da decisão do STF em vetar que presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado possam se reeleger dentro da mesma legislatura. Os investidores esperam para ver como isso irá impactar no andamento dos textos estruturantes encaminhados para debate e aprovação do Congresso. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que estabelece metas e prioridades para o exercício financeiro para o próximo ano, está pautada no Senado para o próximo dia 16. Além dela, o mercado aguarda pelo desenrolar dos debates sobre as reformas tributária e administrativa, além das PECs do Pacto Federativo e Emergencial.

No cenário internacional, o mercado é influenciado pela retomada das tensões entre os EUA e a China após autoridades norte-americanas barrarem a entrada de membros do Partido Comunista no país. A decisão trouxe novamente à tona as indiferenças entre as duas maiores economias do globo e reacendeu a preocupação de que até que ponto este clima vai impactar nos negócios. Também pesa no humor dos investidores o evidente divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia sem um acordo formal. Negociadores britânicos foram à Bruxelas, na Bélgica, neste fim de semana, naquela que é potencialmente a última tentativa de se chegar a um consenso. Com menos de quatro semanas restantes antes da data-limite de 1º de janeiro, os negociadores podem ter menos de 48 horas para conseguir um avanço. A pressão sobre os mercados é aliviada pela proximidade de aprovação de um pacote de ajuda na casa dos US$ 900 bilhões nos Estados Unidos. É esperado que líderes republicanos e democratas revelem os detalhes do pedido nas próximas horas.