Pelo menos 210 possíveis vacinas contra a Covid-19 estão produção no mundo atualmente, segundo um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Dessas, 13 estão na última etapa dos ensaios clínicos e pelo menos cinco têm provocado altas expectativas, com bons resultados de segurança e eficácia. Nesta semana,  Reino Unido e Rússia começarão a imunização da população, respectivamente, com as vacinas da Pfizer e BionTech e da russa Sputnik V. Apesar do otimismo que ronda o mundo, o diretor do Laboratório de Imunologia do Incor, Jorge Kalil, afirma que ainda não é possível saber quanto tempo vamos levar para voltar a uma vida normal. “Se a gente olhar o exemplo Manaus, em que um estudo revelou que 64% das pessoas que já tiveram contato com o vírus, mesmo assim voltaram os casos novos. Então a gente tem que pensar, por enquanto, como tomar as devidas precauções para não pegar a doença porque está aumentando o número de casos”, aponta.

O médico explica que a quantidade mínima de pessoas que precisam ser vacinadas para que a normalidade retorne é variável. “É por isso que nós estamos buscando vacinas de alta eficácia. Se tivermos apenas 70% [de eficácia], quer dizer, você tem que imunizar 100% da população para ter 70% protegida, se esse for o número mágico de proteção para a comunidade. Nós não temos certeza desse número.” Apesar das incertezas, o diretor do Laboratório de Imunologia do Incor, Jorge Kalil, explica que a medida em que as primeiras pessoas forem vacinadas, a circulação do vírus diminui de forma positiva. Ainda assim, segundo ele, mesmo depois da imunização, é provável que o uso das máscaras continue necessário por algum tempo. Sobre a vacina em formato de spray nasal, que está sendo desenvolvida pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP em parceria com o Instituto do Coração, Jorge Kalil afirma que os testes em animais continuam. A expectativa é que os estudos em humanos comecem já no primeiro semestre de 2021.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini