Na manhã desta terça-feira, 8, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, se reuniu virtualmente com governadores para tratar sobre a vacinação contra a Covid-19 e ouviu cobranças sobre a estratégia do Ministério da Saúde para a imunização da população brasileira. Em um momento de tensão do encontro, o governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), questionou Pazuello se a pasta pretendia adquirir a CoronaVac, imunizante produzido pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. “O seu ministério vai adquirir a CoronaVac, sendo aprovada pela Anvisa? Sim ou não, ministro?”, questionou o tucano. O titular da pasta rebateu dizendo que a compra será feita “se houver demanda e preço”. Nesta segunda-feira, 7, Doria anunciou o cronograma da primeira fase da vacinação no estado de São Paulo, mesmo sem a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Doria também questionou por que o governo federal assinou medidas provisórias (MP) para comprar os imunizantes produzidos pela Oxford-AstraZeneca e as do consórcio Covax Facility se, a exemplo da CoronaVac, elas também não foram aprovadas pela Anvisa. “O que difere, ministro, a condição e a sua gestão como ministro de privilegiar duas vacinas em detrimento de outra vacina? É uma razão de ordem ideológica, política ou de falta de interesse de disponibilizar mais vacinas? Por que excluir a CoronaVac, já o procedimento que ela está adotando é exatamente igual ao do consórcio Covax e da AstraZeneca?”, indagou.

“Já lhe respondi isso. Já respondi isso a todos os governadores. Quando a vacina do Butantan, que não é do estado de São Paulo, tá, governador? Não sei como o senhor fala tanto como se fosse do estado, ela é do Butantan. O Butantan é o maior fabricante de vacina do nosso país e é respeitado por isso. O Butantan, quando concluir o seu trabalho e tiver sua vacina registrada, nós avaliaremos a demanda e, se houver demanda e houver preço, nós vamos comprar”, disse Pazuello. “Volto a colocar para o senhor que o registro é obrigatório e havendo demanda, havendo preço, todas as vacinas, todas as produções serão alvo de nossa compra”, acrescentou o ministro da Saúde.

Em outro momento da reunião, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), questionou Pazuello se o Ministério da Saúde iria honrar a carta de intenção de compra de 46 milhões de doses da CoronaVac. O ministro aproveitou a resposta para provocar João Doria, dizendo que “é justificável” a tentativa de acelerar o processo de vacinação, mas destacando que não se pode “abrir mão da eficácia, segurança, responsabilidade”.  “Quando nós tivermos tudo registrado e comprovado, vamos avaliar a demanda daquele elemento para adquirir. Vamos levar isso ao Palácio, a todos os órgãos, e vamos adquirir. É muito importante que se sigam todos os passos. Estamos observando a tentativa de acelerar, o que é muito justo. É justificável, até. Mas, quando se fala de saúde, não podemos abrir mão de eficácia, segurança, responsabilidade. Porque nós responderemos pelos nossos atos. Ela tem que estar totalmente calculada e calibrada.”