A bancada do PSB na Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, 9, um indicativo de apoio à candidatura de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Casa. Em uma reunião virtual, 18 parlamentares do partido de oposição se manifestaram favoravelmente ao nome do expoente do Centrão, que conta com o apoio do Palácio do Planalto para suceder Rodrigo Maia (DEM-RJ). O líder da sigla na Câmara, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), ficou neutro. Outros cinco integrantes foram contra a adesão – a bancada é composta por 31 parlamentares. Segundo relatos feitos à Jovem Pan, será apresentado a Lira, nos próximos dias, um documento com propostas, bandeiras e compromissos com os quais o partido gostaria que o candidato se comprometesse. Entre os temas estão a defesa da pauta a favor do meio ambiente, do combate às desigualdades sociais, garantia de diálogo com o governo Bolsonaro e preservação da independência do Legislativo.

Um deputado do PSB disse à Jovem Pan que a adesão à candidatura de Lira ocorreu porque, de uma maneira geral, os partidos de oposição não conseguiram apresentar uma alternativa própria que representasse o chamado campo progressista. Além disso, avalia que a demora na definição de um candidato que irá representar o bloco liderado por Maia inviabilizou a escolha de um nome consensual. “Uma parte da oposição ficou aguardando a decisão do Rodrigo, a decisão do STF, também. Boa parte dos partidos iria jogar o jogo do Rodrigo. Agora, Lira já até lançou sua candidatura e o bloco de Rodrigo não se definiu. Todos esses fatores influenciaram na decisão”, afirma.

Questionado sobre a repercussão que o eventual apoio do PSB, partido de oposição, a um candidato que possui o apoio do governo Bolsonaro causará, o parlamentar diz que “todos os candidatos colocados até o momento têm certa relação com Bolsonaro”. “O MDB tem dois líderes, o do Senado e do Congresso. O DEM tem ministérios importantes, como o da Agricultura. O deputado Aguinaldo Ribeiro [PP-PB] é líder da maioria. Pastor Marcos Ribeiro é do Republicanos, onde estão os filhos do Bolsonaro. A avaliação, no entanto, não é unânime dentro da bancada. Um segundo deputado ouvido pela Jovem Pan, sob a condição de anonimato, disparou contra o indicativo aprovado nesta quarta: “É um absurdo. A oposição vai rachar”.