Nesta terça-feira, 8, a agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos (FDA) divulgou uma primeira análise sobre a vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Pfizer em parceria com a BioNTech. O relatório indica que o imunizante demonstra uma taxa de eficácia de 95% em geral e 94% em maiores de 65 anos, números bem acima dos 50% exigidos pela entidade. Com a iminência de uma aprovação da vacina, o governo de Donald Trump afirmou que as primeiras doses podem começar a ser aplicadas dentro de 48 horas após a liberação da FDA. Depois disso, a ideia é imunizar 20 milhões de pessoas antes do final do ano, 30 milhões em janeiro e 50 milhões em fevereiro. Dessa forma, 40% da população adulta norte-americana já estaria protegida do novo coronavírus até o final desse prazo.

O plano traçado pelo atual governo dos Estados Unidos considera que, além da vacina desenvolvida pela Pfizer com a BioNTech, o país também terá acesso o mais rápido possível aos imunizantes de outras farmacêuticas. Na terça-feira, 8, Donald Trump assinou uma ordem executiva para garantir que “os americanos tenham acesso prioritário” às vacinas que foram desenvolvidas no território ou com verbas dos Estados Unidos, como é o caso das vacinas da Moderna e da AstraZeneca. A ação, típica da doutrina “America First” adotada pelo republicano, foi entendida como uma tentativa de Trump de associar sua imagem ao rápido desenvolvimento do imunizante contra a Covid-19. No entanto, não é garantido que a ordem seja capaz de impedir as farmacêuticas de cumprirem seus contratos com outros países.

Joe Biden

A campanha de vacinação contra o novo coronavírus idealizada pelo presidente eleito Joe Biden é mais modesta. O democrata, que deve assumir a Casa Branca no próximo mês, prometeu que pelo menos cem milhões de doses da vacina serão distribuídas aos norte-americanos nos primeiros 100 dias de seu mandato. Como cada pessoa precisa de duas aplicações para ser imunizada, o plano é garantir a proteção de 50 milhões entre os dias 20 de janeiro e 29 de abril. O número é consideravelmente menor do que o projetado por Donald Trump, que imagina ser capaz de vacinar essa mesma quantidade de indivíduos só em dezembro e janeiro. Não está claro se a diferença se dá porque Joe Biden e sua equipe estão levando em consideração a possibilidade da Pfizer não fabricar as 100 milhões de doses prometidas aos Estados Unidos até junho de 2021. Recentemente, a farmacêutica anunciou que reduziu pela metade a quantidade de doses da vacina que espera produzir ainda esse ano.

Distribuição das vacinas será desigual no mundo

Independente dos planos de Trump ou Biden se concretizarem, a América Latina deve demorar quase um ano a mais que os Estados Unidos para alcançar a imunidade de grupo contra a Covid-19. O alerta foi feito nesta terça-feira, 8, durante uma entrevista coletiva da Federação Internacional de Fabricantes e Associações Farmacêuticas, que utilizou como base cálculos feitos pela empresa de análise de dados Airfinity. Na última quinta-feira, 3, o diretor do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, John Nkengasong, já tinha alertado que a África deve levar de dois a três anos para ter 60% de sua população protegida contra o novo coronavírus – ficando, portanto, ainda mais atrás do restante do mundo.