Grupo heterogêneo que abarca parlamentares de diferentes partidos, o Muda Senado se reuniu, na manhã desta quinta-feira, 10, para debater a estratégia a ser adotada no processo de sucessão de Davi Alcolumbre (DEM-AP) na presidência da Casa. Os senadores preparam um documento, tido entre os integrantes como uma espécie de “plano de voo” que deve ser seguido pelo nome que será eleito em fevereiro de 2021, que deve ser apresentado na semana que vem. Um dos desdobramentos do encontro desta quarta foi o surgimento de mais quatro candidaturas dentro do bloco – no total, são seis os postulantes à cadeira ocupada por Alcolumbre: Major Olimpio (PSL-SP), Jorge Kajuru (Cidadania-GO), Mara Gabrili (PSDB-SP), Alvaro Dias (Podemos-PR), Lasier Martins (Podemos-RS) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Antes mesmo do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que vetou a possibilidade de reeleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Olimpio e Kajuru já haviam anunciado suas candidaturas. O líder do PSL no Senado, inclusive, afirmou, em entrevista à Jovem Pan que, com a impossibilidade de Alcolumbre lançar-se candidato, a eleição fica em aberto. “Pessoas ligadas ao Davi, cerca de 70% do Senado, se surpreenderam. O jogo fica mais aberto, mais democrático. Sem o Davi, temos, por enquanto, eu e Kajuru (Cidadania-GO). Agora, os outros grandes partidos devem se colocar em campo, e aí vamos para uma disputa aberta”, disse. Líder do Podemos, o senador Alvaro Dias lançou sua pré-candidatura à presidência do Senado em 2019, mas renunciou.

Como a Jovem Pan mostrou, senadores ouvidos pela reportagem apontam um “clima de indefinição” na corrida pela presidência da Casa. Apesar das articulações internas, não há, por ora, um nome oficializado. Dono da maior bancada da Casa, o MDB possui, ao menos, quatro nomes que despontam como candidatos: Eduardo Braga (MDB-AM), líder do partido no Senado; Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no Congresso; Fernando Bezerra Filho (MDB-PE), líder do governo no Senado; e Simone Tebet (MDB-MS), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – em 2019, Tebet desistiu de sua candidatura ao ser preterida pela maioria dos senadores na disputa interna com Renan Calheiros (MDB-AL). No PSD, segunda maior bancada do Senado, um nome citado por mais de um parlamentar foi o de Antonio Anastasia (PSD-MG), vice-presidente da Casa. Anastasia é visto com bons olhos por ter trânsito com diversos partidos, incluindo os da oposição, e, ao mesmo tempo, ter um perfil independente em relação ao governo federal.