Analistas do mercado financeiro renovaram as expectativas de alta para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), que mede a inflação oficial da economia brasileira, para 4,35% em 2020, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 14. Este é o maior nível do ano e representa a 18ª elevação seguida na previsão da inflação. Na edição da última semana, economistas e entidades ouvidas pelo Banco Central projetavam alta de 4,21%. Há quatro semanas, a estimativa de inflação para o ano era de 3,25%. O aumento ocorre em meio ao avanço do IPCA nos últimos meses. Em novembro, o índice acelerou para 0,89%, e no acumulado em 12 meses soma alta de 4,31%, acima da meta de 4% perseguida pela autoridade monetária nacional — com margem para variar no intervalo entre 2,5% e 5,5%. A recessão causada pela pandemia do novo coronavírus fez o IPCA registrar índices negativos em abril e maio. A partir do segundo semestre, com a disparada do dólar e a retomada do consumo pelas famílias, o índice começou a galopar para recordes mensais. A Selic é a principal ferramenta do BC para manter a inflação sob controle. O Comitê de Políticas Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros em 2% ao ano na última reunião de 2020, mas sinalizou que o descongelamento do índice ao menor patamar da história a partir de 2021. As fontes do Banco Central projetam que o IPCA fique em 3,34% no fim de 2021, a mesma análise da semana passada. O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou em 3,75% o centro da inflação para o próximo ano — com variação entre 2,25% a 5,25%.

O mercado financeiro também alterou a previsão de queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 para 4,41%, ante 4,40% projetado na edição anterior. Há quatro meses, os analistas e entidades esperavam tombo de 4,66%. Para 2021, a previsão é crescimento de 3,34%. Há uma semana, a projeção era de 3,33%, enquanto há um mês as previsões indicavam avanço de 3,38%. A economia brasileira cresceu 7,7% no terceiro trimestre de 2020, após registrar dois períodos seguidos de retração. O avanço entre julho e setembro veio abaixo do projetado pelos analistas e técnicos do governo. O Banco Central estimava alta de 9,4%, enquanto o governo federal previa crescimento de 8,3%. Na comparação com o mesmo trimestre de 2019, o PIB recuou 3,9%. Apesar do aumento, a economia brasileira ainda acumula retração de 5% em 2020. Em novembro, o governo divulgou que espera queda de 4,5% no PIB em 2020, pouco mais fraca que as estimativas de 4,7% publicadas anteriormente. Para 2021, o Ministério da Economia projeta alta de 3,2%.