O Senado Federal rejeitou nesta terça-feira, 15, o nome do diplomata Fabio Mendes Marzano para ocupar um dos principais postos da diplomacia brasileira no mundo, em uma delegação junto à ONU, em Genebra, na Suíça. A situação é considerada uma derrota para o governo, pois o Ministério das Relações Exteriores havia indicado o diplomata, que é muito próximo do chanceler Ernesto Araújo. O plenário reprovou a indicação por 37 votos contra 9. O fato aconteceu um dia após a sabatina na comissão de relações exteriores. Nesta reunião, houve certa desavença entre o diplomata e a senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Isso porque o diplomata foi questionado pela senadora sobre questões ambientais no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Fabio Marzano respondeu que o assunto não era da alçada dele e o posto que foi indicado para ocupar não teria relação com isso.

“Na verdade, a delegação em Genebra não se ocupa de temas ambientais, como eu comentei, o Conselho de Direito Humanos é o principal organimos, então as temáticas estão mais relacionadas com direitos humanos, né? Se a senhora me permite, eu não estaria mandatado para comentar sobre o assunto com a União Europeia, é uma atribuição da minha secretaria negociar esse acordo”, afirmou.  Tal resposta deixou indignada a senadora, que tentou argumentar sobre o silêncio do diplomata. “Ele, hoje, está ocupando um cargo no Itamaraty que diz respeito a esse assunto. Se nem dessa forma não pode comentar, o Itamaraty está virando uma casa dos horrores, onde os embaixadores não podem abrir a boca e dar suas opiniões. Sinto muito desse quadro, até próximo ao vexame”, disse.

Ainda assim, o diplomata preferiu não se manifestar. No plenário, quando o assunto foi à discussão, o senador Major Olímpio (PSL-SP) fez um discurso pesado contra Fábio Marzano, citando o desrespeito do diplomata com a senadora Kátia Abreu. “Que se faça outra indicação no começo do ano, mas vir aqui dizer o que foi dito de forma grotesca e isso sair barato? Para o inferno chanceler, respeite o Senado, respeite os senadores. Vamos todos votar contra esse cidadão”, disse. A rejeição de indicação de embaixadores é algo raro dentro das sabatinas legislativas. Desde a redemocratização, apenas houve um casos semelhante, em 2015, quando Guilherme Patriota, indicado para a missão brasileira junto à Organização dos Estados Americanos, foi rejeitado por apenas um voto de diferença.

*Com informações do repórter Fernando Martins