O deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM) acredita que a disputa pela presidência na Câmara dos Deputados não traz candidatos de oposição ao governo federal. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta quinta-feira, 24, o parlamentar avaliou as consequências da escolha de Baleia Rossi como candidato de Rodrigo Maia e falou sobre a vaga na mesa diretora. “Os fatos eles tornam incontestável que o deputado Arthur Lira não é alguém que entregaria Câmara ao Executivo, e o Baleia Rossi não é oposição. Ele é do MDB, partido que articulou impeachment de Dilma Roussef e, durante o mandato de Bolsonaro, tem mais fidelidade de votos ao governo do que o próprio Arthur Lira. Então, não tem candidatura de oposição, são suas candidaturas da base do governo”, avalia.

Embora o presidente da Casa, Rodrigo Maia, tenha indicado a Baleia Rossi como seu candidato nesta quarta-feira, 23, após intensa negociação com partidos de esquerda, Marcelo Ramos afirma que não há, no momento, uma confirmação absoluta sobre a candidatura do indicado, já que alguns partidos passam por dificuldades para definição. “Vamos esperar se o bloco se confirma em torno da candidatura de Baleia Rossi. O PSB não consegue construir a maioria necessária, o PSL tem dificuldades e, caso o MDB mantenha a candidatura no Senado Federal, o próprio DEM terá dificuldade para aderir ao bloco”, explica. O deputado afirma, no entanto, que é ‘inegável’ a articulação de Maia para construir o grupo de apoio antes de anunciar o candidato. “Formalmente, os blocos ainda não estão constituídos. E as pessoas não estão levando em consideração o que faz um partido aderir a um bloco. Não é a declaração do presidente do partido ou do líder do partido, é a manifestação expressa da maioria absoluta da bancada. Até que os blocos sejam formalizados, as manifsações são meramente manifestações políticas que dependem de comprovação formal.”

Marcelo Ramos também avaliou a postura de Maia e falou sobre a busca necessidade de uma relação independente e harmônica entre os Poderes. “Nessa reta final da administração, o presidente Rodrigo Maia perdeu essa perspectiva da harmonia e resolveu, por conta da sucessão, confrontar o Poder Executivo. O presidente da Câmara tem que ser um construtor de convergências e não um aprofundados de divergências, que é o que Rodrigo Maia tem feito na reta final”, disse. Ao mesmo tempo, o deputado também lembrou de posturas do presidente Jair Bolsonaro que dificultaram a relação. “Justiça precisa ser feita, houve erros dos dois lados. O presidente dá declarações em relação ao parlamento que desgatam a harmonia necessária entre os Poderes. Algumas reformas demoraram também, como a reforma tributária, porque o Executivo nunca entregou. Temos erros dos dois lados, mas nessa reta final o Rodrigo Maia esqueceu da segunda etada da relação: independente e harmônica.”