Os governadores têm cobrado do governo federal informações mais precisas com relação ao início da vacinação contra a Covid-19 no país. Por isso, para tentar pressionar o governo por uma definição, as autoridades estaduais terão um encontro, na semana que vem, com a Anvisa e com o presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia para debater o assunto. Para o governador do Piauí, Wellington Dias, a questão deve ser tratada como prioritária. “O Brasil está muito atrasado em relação ao processo de vacinação. A consequência disso é que nós temos um risco maior que outros países. O fato é que precisamos botar na mesa todos os atores.”

Pressionado, o presidente Jair Bolsonaro participou nesta terça-feira, 05, de uma reunião técnica no Ministério da Saúde. Ele recebeu informações sobre o avanço do coronavírus no país, incluindo explicações sobre como a doença se comporta por região, idade e fatores de risco. Durante conversa com apoiadores, Bolsonaro voltou a reclamar das pressões para que o Brasil também inicie logo a imunização. E disse que os países que já têm a vacina, tem, na verdade, poucas doses. “Um fabricante vendeu 10 mil vacinas para 20 e poucos países. Então eles estão vacinando, mas não estão vacinando como um todo. Dez mil vacina para um país não é nada. Não interessa que seja o Paraguai com uma população pequena, a Alemanha, com uma população média, ou até mesmo para o Brasil. Para isso vem a pressão, pressão porque vende. Agora criaram um pânico perante a população”, disse. Até o momento, segundo monitoramento feito pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, 14,5 milhões de pessoas já foram vacinadas no mundo.

Atualmente, o Ministério da Saúde trabalha com o início da imunização entre o fim deste mês e o início de fevereiro. No entanto, a pasta ainda não possui doses de uma possível vacina ou registro da Anvisa. Para garantir que não faltarão insumos para a vacinação, a Camex, Câmara de Comércio Exterior deverá finalizar nesta quarta-feira, 06, a votação sobre o pedido da pasta da saúde para zerar o imposto de importação de seringas e agulhas. Ainda nesta terça-feira, os ministérios das Relações Exteriores e da Saúde garantiram que não há qualquer tipo de proibição do governo da Índia para a exportação de doses da vacina em parceria com o laboratório AstraZeneca. O Itaramaraty explicou que a data provável para entrega das doses da vacina é meados de janeiro. A Fiocruz tem sinalizado que deverá pedir o registro emergencial ainda essa semana.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin