Integrantes da pré-campanha de João Doria (PSDB) pediram mudanças no questionário da pesquisa encomendada pelos três partidos que compõem a chamada 3ª via. A pesquisa, com o campo feito de 2 mil pessoas, será apresentada na reunião desta tarde (18) entre os presidentes das três legendas, na tentativa de chegarem a um nome comum que os representará na corrida à Presidência. Aliados de Doria estão reunidos neste momento com o ex-governador para decidir se participarão do encontro, que analisará os números.

A pesquisa está sendo fechada pelo IGEPP, do estatístico Paulo Guimarães. Um questionário com poucas perguntas foi elaborado e submetido às coordenações das pré-campanhas de Doria e de Simone Tebet (MDB). Os integrantes da campanha de Doria queriam que as perguntas focassem atributos como experiência e competência e pediram para ser retirada as perguntas, por exemplo, que envolviam atributos mais subjetivos, como preocupação com os mais pobres.

Na campanha do ex-governador, a pesquisa, que é uma quantitativa, mas destaca características pessoais do candidato (geralmente tratadas em pesquisas qualitativas, aquelas em que grupos de pessoas que representam setores do eleitorado conversam com mediadores), tende a ser negativa para ele. Daí alguns aliados de Doria passarem a questionar inclusive o uso da pesquisa como critério, uma vez que ela não está registrada no TSE.

O ex-governador de São Paulo quer ganhar tempo. Na terça-feira (17), ele sofreu nova derrota numa articulação promovida pelo presidente do PSDB, Bruno Araújo, para reforçar o apoio da maioria do partido à sua ação em direção ao MDB, com a defesa nos bastidores da candidatura de Tebet.

Diante de uma carta de Doria, que ameaçava a judicialização da discussão sobre quem será o candidato do partido – caso o resultado das prévias que o alçaram vencedor não for respeitado –, Araújo convocou uma reunião do partido e conseguiu reforçar o apoio que tem da maioria da cúpula tucana para seguir em frente nas articulações.

Após a reunião, o grupo tentou enquadrar Doria, convocando-o para um encontro esta quarta, antes da reunião do fim do dia entre os presidentes das três legendas. A ideia seria informá-lo, mais uma vez, que sua candidatura não tem sustentação política.

Correndo por fora, está o grupo de Aécio Neves, que, diante do alinhamento da atual direção com o candidato do PSDB em São Paulo, Rodrigo Garcia, que é também entusiasta da aliança com o MDB, passou a fazer um contraponto às negociações – e num momento até defender o direito de Doria, inimigo de Aécio, de ser candidato.

Na realidade, o grupo não quer Doria tampouco Tebet, cuja escolha como candidata, além de depender questões internas do seu partido, dará mais força ao grupo paulista. Para esses tucanos, a melhor saída seria lançar um nome como o do senador Tasso Jereissati (CE) ou até mesmo resgatar a ideia de ter como candidato o ex-governador gaúcho Eduardo Leite.

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