O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ganhou força em novembro e subiu 0,89%, 0,03 pontos percentuais acima da taxa de outubro (0,86%), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 8. Essa é a maior variação para o mês desde 2015, quando o índice foi de 1,01%. Com o aumento, a inflação brasileira acumula avanço de 4,31% nos últimos 12 meses, acima da meta de 4% perseguida pelo Banco Central — com margem para variar no intervalo entre 2,5% e 5,5%. A alta do IPCA em novembro foi novamente puxada pelo encarecimento dos alimentos (2,54%), além do aumento do preço dos transportes (1,33%). No ano, o indicador oficial da inflação acumula alta de 3,13%. Em novembro de 2019, o índice havia ficado em 0,51%. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação, avançou 0,81% no mês passado, a maior alta para o mês desde 2015. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), considerado a inflação dos mais pobres, teve alta de 0,95% em novembro, o maior resultado para o mês desde 2015. No ano, o índice acumula alta de 3,93% e, nos últimos 12 meses, de 5,20%.

O aumento da inflação já era esperado pelo mercado, que prevê avanço de 4,21% neste ano, segundo divulgado pelo Boletim Focus na segunda-feira, 6. O número representa a 17ª correção seguida para cima do índice. Há quatro semanas, os analistas ouvidos pelo Banco Central estimavam alta de 3,20%. Para 2021, a expectativa é de 3,34%. O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou em 3,75% o centro da inflação para o próximo ano — com variação entre 2,25% a 5,25%. A recessão causada pela pandemia do novo coronavírus fez o IPCA registrar índices negativos em abril e maio. A partir do segundo trimestre, com a disparada do dólar e a retomada do consumo pelas famílias, o índice começou a galopar para recordes mensais. A alta de 0,64% em setembro é a maior desde 2003, enquanto outubro registrou o avanço mais expressivo desde 2002. A Selic é o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle. A autoridade monetária nacional mantém a taxa de juros a 2% — o mais baixo da história —, desde agosto, em uma estratégia para estimular a economia através do consumo. O Comitê de Políticas Econômica (Copom) faz entre hoje e amanhã a última reunião do ano para estipular o valor da taxa de juros. A expectativa do mercado é que o Banco Central congele a Selic em 2% até o início do próximo ano.