O senador Jorge Kajuru afirmou que o presidente Jair Bolsonaro queria que o áudio da conversa de ambos gravado no sábado, dia 10, fosse divulgado. “Ele falou o que ele quis. Quando perguntei no dia seguinte, ele falou abertamente porque queria que a conversa fosse para o ar. Tanto ele queria que foi ao ar no domingo, 13h, e ele não achou ruim. Só achou ruim na segunda-feira, quando foram falar para ele que o caso do STF pegou mal, não foi bom para ele.” Em entrevista ao Morning Show, da Jovem Pan, ele lembrou que no dia 1º de fevereiro sinalizou em tribuna que passaria a gravar todas as conversar telefônicas dali em diante porque muitos políticos falavam uma coisa e, no outro dia, falavam outra. Kajuru afirmou que Flávio Bolsonaro ouviu sua declaração e certamente falou para o pai. “Presidente estava careca de saber que eu estava gravando e ele aproveitou da gravação para falar o que queria.”

Jorge Kajuru reiterou seu apoio a CPI da Covid-19 e afirmou que ela deve ser feita tanto para investigar ações do governo federal quanto dos estados e municípios. Porém, juntas, não teria tempo hábil e daria confusão. Então, ele defende que as duas aconteçam em paralelo. “Ambas tinham que acontecer por causa dos desvios e tantos outros motivos que existem”, declarou. O assunto foi alvo de divergência com o próprio partido, o Cidadania, que pressiona o senador a sair da sigla. Kajuru, no entanto, afirmou que há dois meses estuda a separação e que ela acontece em um “rompimento tranquilo”. Como possibilidade, ele estuda o Podemos — mas não vê prioridade em escolher neste momento. “Não decidi minha vida partidária ainda.”

Questionado sobre um possível rompimento com o presidente Jair Bolsonaro, o senador afirmou que não guarda raiva ou rancor e que vai continuar atuando da mesma forma, tendo a mesma relação de sempre. “Terei a mesma opinião de apoiar as coisas certas. A única coisa que não faço mais com ele é telefonar”, disse. Sobre apoio nas eleições presidenciais de 2022, Jorge Kajuru afirmou não ser nem pró-Lula e nem pró-Bolsonaro. “Para mim, o mais preparado é o Ciro Gomes, mas vou esperar novos nomes para estudar uma terceira via.” Ele também descartou rumores da ida ao PDT, partido do ex-governador do Ceará. “Nem fui convidado para ir ao partido dele.”

Kajuru também aproveitou a oportunidade para rebater as negativas da Pfizer e do governo federal sobre um encontro que deveria ter acontecido em 2000 para negociação de vacinas, mas Bolsonaro deixou os representantes da farmacêutica esperando. “Evidente que o presidente da Pfizer não vai confirmar o chá de dez horas porque está vendendo vacina para o governo agora”, opinou. Kajuru revelou que o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta confiou a informação à ele e vai estar na CPI. “Estou vivendo no meio político. Nunca generalizo, mas parte dele é um chiqueiro. E eu sairei sem levar nenhum cheiro. A Polícia Federal nunca vai bater na minha casa 6h30 e nunca serei manchete negativa de jornais”, finalizou.