A sessão deliberativa da Câmara dos Deputados que irá analisar o caso do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) está marcada para às 17h desta sexta-feira, 19. O parlamentar bolsonarista foi preso na noite de terça-feira, 16, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, após a publicação de um vídeo com apologia à Ditadura Militar e diversos ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Se nas primeiras horas após a detenção de Silveira a maioria dos deputados defendia a revogação da prisão, a tendência, por ora, é que haja ao menos 300 votos favoráveis à manutenção da detenção. A Jovem Pan explica por que houve uma mudança de entendimento entre as principais lideranças do Congresso.

A mudança no clima entre os deputados deve-se, fundamentalmente, à postura radical de Daniel Silveira. Nesse caso, a Câmara deixou de lado o chamado espírito de corpo, ou seja, a identificação entre integrantes de uma instituição ou corporação, por exemplo. “A votação vai ser um Deus nos acuda. A maioria dos partidos votará pela manutenção da prisão. O que Daniel Silveira fez com o STF nesta semana, ele já havia feito com o Congresso no ano passado”, avalia um integrante da Mesa Diretora. “Por que deveríamos acionar o espírito de corpo para salvar um corpo estranho?”, resumiu um líder do Centrão, aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Na avaliação de um correligionário de Silveira, o deputado não possui articulação, o que dificulta ainda mais a sua situação.

Por outro lado, há uma ala da Câmara que critica a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a prisão, mas ressalta que um voto pela revogação da prisão pode criar a interpretação de que se apoia o conteúdo do vídeo divulgado por Silveira. Argumento semelhante é defendido pelo líder do governo na Casa, deputado Ricardo Barros. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Barros afirmou que votará pela soltura do parlamentar bolsonarista, mas destacou que o discurso do deputado do PSL não pode ser defendido. “Eu votarei pela soltura por convicção pessoal minha. Mas tenho claro que, por grande maioria de 350 votos, a prisão será confirmada em função do conteúdo da fala do deputado. Se votamos pela soltura dele, a interpretação é de que concordamos com tudo que ele isso. Isso também não é possível”, disse. Barros acredita que os discursos da sessão de hoje na Câmara vão reafirmar que a forma que houve a prisão não está juridicamente correta, embasada no Código de Processo Penal. “Mas não é o caso de questionarmos, o discurso dele não tem como ser defendido”, acrescentou.