A Câmara dos Deputados deve retomar nesta semana a votação de um projeto que permite a compra de vacinas contra a Covid-19 por empresas. Atualmente, a lei estabelece que o setor privado doe todo o estoque adquirido para o governo federal enquanto os grupos prioritários não forem imunizados. A proposta tem contado com apoio de autoridades, que querem acelerar a vacinação no país, marcada pela lentidão e escassez de doses. A epidemiologista Carla Domingues, no entanto, ressalta que as empresas só devem ter fármacos disponíveis para o setor privado quando finalizarem as entregas aos governos.

A ex-coordenadora do Plano Nacional de Imunização calcula ainda que 60 milhões de pessoas poderiam estar vacinadas se houvesse a disponibilidade de mais doses. “A velocidade da vacina vai depender dessas entregas. A vacina da Janssen foi liberada, mas o contrato assinado com o Ministério da Saúde só tem entregas para outubro. Então não podemos contar com essa vacina agora, nesse primeiro semestre. Nesse ritmo que nós estamos vendo agora nessas duas últimas semanas, em torno de 700, 800 mil pessoas, vai ser o ritmo que vamos conseguir imprimir. Pode ser que a gente consiga acelerar para 1, 2 milhão, mas o que eu acredito é que vamos manter essa margem de 800 mil de pessoas em função da escassez de vacina”, explica.

Neste cenário, a epidemiologista Carla Domingues defende a prioridade dos grupos com maiores números de mortalidade pelo coronavírus. “A minha preocupação é que já estão abrindo para outros grupos como policiais, professores, pessoas de outras profissões, que também são prioridades para serem vacinados, mas, nesse momento em que temos escassez de vacinas, é preciso concentrar a vacina no grupo que tem mais risco de adoecer, tem complicações e óbitos”, ressalta. Carla Domingues reforça que a vacinação deve ser acompanhada dos protocolos sanitários de distanciamento, uso de máscaras e higienização.

*Com informações da repórter Nanny Cox