Integrantes da CPI da Covid-19 reagiram à divulgação de vídeos de uma reunião que mostraria o suposto gabinete paralelo da saúde, que seria responsável por aconselhar extraoficialmente o governo no enfrentamento à pandemia da Covid-19. Apenas parte da gravação, que é pública e está nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro desde setembro do ano passado, foi divulgada pelo portal Metrópole. Além de Bolsonaro, aparecem entre os participantes o deputado Osmar Terra, a médica Nise Yamaguchi e o virologista Paolo Zanotto. O então ministro da Saúde Eduardo Pazuello não estava presente.

Na ocasião, os especialistas apresentaram opiniões contrárias às vacinas e favoráveis ao tratamento precoce. No encontro, Zanotto propõe a criação de um “shadow cabinet” — que na tradução literal significa “gabinete das sombras” — para aconselhar o governo sobre a pandemia. Após a fala do virologista, Bolsonaro lembrou que havia vetado um dispositivo aprovado pelo Congresso que determinava a autorização de vacinas no Brasil desde que fossem liberadas pelas agências de controle de alguns países. O comando da CPI da Covid-19, de oposição ao governo, reagiu.

Em uma rede social, o senador Renan Calheiros, relator da comissão, disse que a existência do gabinete paralelo é inegável. O presidente da CPI, Omar Aziz, afirmou que o encontro “confirma a tese do gabinete paralelo e explica porque o ministro Pazuello dizia que a vacinação iria começar no dia D, na hora H”. Segundo o senador, Pazuello esperava as determinações do “shadow gabinet” — o gabinete da morte. O vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues, pediu a convocação de Paulo Zanotto e do deputado federal Osmar Terra.

Em nota, Osmar Terra afirmou que o chamado gabinete paralelo não passa de uma ficção política. Segundo ele, “a ciência não é seletiva ou exclusivista. O presidente da República, Jair Bolsonaro, pode e deve ouvir opiniões diversas para tomar as mais relevantes decisões pelo povo brasileiro. A reunião divulgada recentemente ocorreu com a presença de vários especialistas, e consta na agenda oficial do presidente como uma audiência comum à atividade política”. O governo sempre negou a existência do chamado gabinete paralelo.

*Com informações da repórter Caterina Achutti