O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), vai remover o Comitê de Imprensa do lugar onde ele está desde a década de 60. O local, onde trabalham jornalistas de veículos de todo o país, tem acesso direto ao plenário da Câmara dos Deputados e vista para a Esplanada dos Ministérios, como consta no projeto original do Congresso Nacional, feito por Oscar Niemeyer. No lugar, será instalado o gabinete da Presidência da Câmara. A mudança, que começa a ser feita nesta quinta-feira, 11, levanta duas questões. O gabinete do presidente da Casa fica próximo ao local e, para chegar ao plenário, Lira precisa passar por um pequeno corredor no Salão Verde, local onde passam deputados, assessores, convidados e jornalistas. Neste caminho, profissionais da imprensa têm oportunidade de abordar o presidente, tirar dúvidas, apurar e fazer questionamentos a ele. Com a mudança de local, isso não será mais possível.

Além disso, o Comitê de Imprensa vai ser transferido para o subsolo da Câmara dos Deputados, local bem mais distante do plenário e do próprio Salão Verde, o que pode dificultar o acesso dos jornalistas aos parlamentares. O lugar é bem menor que o atual, tem menos mesas e não possui janelas de ventilação. No plenário, alguns deputados criticaram a medida. O deputado Hildo Rocha (MDB) classificou a decisão como “antidemocrática”, sem ter ouvido os outros deputados. “Tirar e botar lá embaixo, lá na parte do subsolo os profissionais que precisam carregar equipamentos pesados, fotógrafo carrega equipamento de quase 20 quilos. Vai prejudicar esses profissionais, eu queria que Vossa Excelência revesse essa decisão que foi feita de forma monocrática.”

O presidente da Casa, Arthur Lira, argumenta que o ato é para aproximar o presidente dos deputados. Ele defendeu o local para onde a imprensa será deslocada. “Uma sala de 107 metros quadrados, com copa, com banheiro, com todo o sistema analógico, todo sistema virtual, com as baias, 40 baias. Nessa Casa nunca cerceamos o direito de ninguém, de cobertura de ninguém”, afirmou. Lira disse que reconhece as reclamações da imprensa sobre ficar longe do plenário, mas que a decisão está tomada. E acenou com o diálogo. “Com muita democracia, nós vamos conversar hoje, mas a decisão da mesa está tomada. Iremos dialogar para dar um conforto e maior possibilidade que a imprensa exerça o seu papel com democracia e sem nenhum oportunismo político”, disse. Em nota, a Abraji, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, diz que o ato do presidente “sinaliza desconhecimento do cotidiano dos jornalistas, desrespeito aos profissionais e falta de empatia com os esforços dos veículos em plena pandemia.” A entidade cita “os riscos que os jornalistas passam a ter em uma sala não adequada para o enfrentamento da Covid-19”. Já a Federação Nacional dos Jornalistas lembra que “Oscar Niemeyer projetou o Comitê de Imprensa ao lado do plenário, justamente para que os jornalistas tivessem acesso ao principal local de debates e deliberações.”

*Com informações da repórter Levy Guimarães