Governadores de 13 Estados divulgaram, na tarde desta quinta-feira, 4, uma carta, endereçada ao presidente Jair Bolsonaro, na qual pedem a “imediata adoção das providências necessárias a fim de viabilizar a obtenção – junto a entidades estrangeiras e organismos internacionais – de novas doses de imunizantes contra a Covid-19“. Os gestores estaduais sugerem que o governo federal recorra, se necessário e possível, à Organização Mundial da Saúde (OMS). O pedido ocorre em meio ao agravamento da pandemia no Brasil. Segundo a Fiocruz, ao menos 18 Estados e o Distrito Federal estão com a taxa de ocupação de leitos de UTI superior a 80%. Além disso, nesta quarta-feira, 3, o Brasil bateu um novo recorde no número de óbitos – nas últimas 24 horas, foram registradas 1.910 mortes causadas pelo novo coronavírus, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS).

“Reconhecemos que, neste grave momento, há no mundo uma extraordinária procura por vacinas, junto a diferentes fornecedores. Acompanhamos o anúncio de novas aquisições pelo Ministério da Saúde, mas também percebemos que é preciso agilizar mecanismos de compra, explorar e concretizar todos os meios de aquisição disponíveis, para vacinar, no menor espaço de tempo possível, a maior quantidade de brasileiros. Se não tivermos pressa, o futuro não nos julgará com benevolência. Por isso, pedimos ao Governo Federal, especialmente por meio dos Ministérios da Saúde e das Relações Exteriores, esforço ainda maior para obter, em curto prazo, número consideravelmente superior de doses. Caso seja possível, sugerimos também o requerimento de apoio e intermediação da Organização
Mundial da Saúde”, diz um trecho da carta.

“Os Entes Federados têm envidado todos os seus esforços, mas estão no limite de suas forças e possibilidades. Nos últimos meses, instalaram milhares de novas vagas em Unidades de Terapia Intensiva, contrataram profissionais de saúde de diversas áreas e viabilizaram a compra de equipamentos, além de investirem em medidas como o distanciamento social e a orientação da população por meio de estratégias claras de comunicação. Esse conjunto de ações, ainda que indispensável, demonstra estar próximo do exaurimento. Ninguém discorda de que, nas próximas semanas, talvez meses, a pandemia seguirá ceifando vidas, ameaçando, desafiando e entristecendo todos nós”, acrescentam.

No documento, os governadores também afirmam que, a despeito dos esforços dos gestores estaduais, o ritmo de vacinação no país “ainda é muito baixo”. “No ritmo atual, infelizmente, atravessaremos o ano lamentando a irreparável perda de vidas, além da baixa expectativa de imunizar efetivamente todos os grupos prioritários. Os exemplos cada vez mais bem-sucedidos de países que estão contendo a pandemia por meio da vacinação, combinada com outras práticas de prevenção e higiene, não remete a outro caminho que não seja o esforço político e diplomático de todos – liderado no plano das relações internacionais pelo Governo brasileiro – a fim de garantir, desde logo, novos carregamentos de vacinas”, acrescentam.

A carta é assinada pelos governadores Renan Filho (Alagoas), Waldez Goes (Amapá), Rui Costa (Bahia), Camilo Santana (Ceará), Renato Casagrande (Espírito Santo), Flávio Dino (Maranhão), Mauro Mendes (Mato Grosso), Helder Barbalho (Pará), João Azevêdo (Paraíba), Paulo Câmara (Pernambuco), Wellington Dias (Piauí), Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Belivaldo Chagas (Sergipe).