O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou, nesta segunda-feira, 7, em coletiva de imprensa, que o Congresso definirá um plano de vacinação contra a Covid-19 com ou sem a participação do governo federal. Aos jornalistas, Maia afirmou que a população brasileira “entrará em pânico” se não houver uma estratégia definida pelas autoridades, e destacou a intenção de votar, até a quinta-feira, 10, uma medida provisória (MP) que possa fornecer diretrizes para o cronograma de imunização no país. “Então, é muito grave que o Brasil não defina logo um plano, não resolva de forma definitiva qual é o caminho”, disse. Uma das MPs que aguardam deliberação dos parlamentares é a 1003, que autoriza o governo federal a adeir ao Instrumento de Acesso Global de Vacinas da Covid-19, a Covax Facility.

Rodrigo Maia também afirmou que o Congresso vai “avançar de qualquer jeito”, mas ressaltou que “é bom que isso seja feito com o governo”. “As pessoas vão começar a entrar em pânico se o Brasil ficar para trás nessa questão de ter um plano, uma estratégia clara e objetiva. É bom que isso seja feito com o governo. Eu disse já ao presidente Bolsonaro. Mas nós vamos avançar de qualquer jeito, até porque o Supremo também vai avançar. E acho que o melhor caminho é que se faça de maneira integrada entre Executivo, Legislativo e, depois, a decisão final do Supremo”, disse nesta segunda. O presidente da Câmara disse, ainda, que já pediu ao relator da MP 1003, o deputado Geninho Zuliani (DEM-SP), que conversasse com o Ministério da Saúde sobre o cronograma de vacinação.

Nesta segunda-feira, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que pretende iniciar a vacinação contra a Covid-19 no dia 25 de janeiro de 2021. A primeira fase da campanha irá priorizar profissionais de área da saúde que estão na linha de frente contra a doença, indígenas, quilombolas e os idosos com mais de 60 anos. No Estado, 77% dos óbitos pelo coronavírus estão concentrados nesta faixa etária e, de acordo com Doria, esse foi o critério para determinar o grupo prioritário. No total, essa fase pretende imunizar 9 milhões de pessoas. As decisões fazem parte do Plano Estadual de Imunização (PEI). A estratégia de vacinação está estimada em R$ 100 milhões, sem contar os insumos como seringas e agulhas.

Mais tarde, também nesta segunda, o presidente Jair Bolsonaro anunciou, em sua conta oficial no Twitter, que, “em havendo certificação da Anvisa, o governo ofertará a vacina a todos, gratuita e não obrigatória”. Na publicação, Bolsonaro disse que, segundo o Ministério da Economia, liderado pelo ministro Paulo Guedes, não faltarão recursos para que todos sejam atendidos. O vice-presidente Hamilton Mourão estima que, até o final de 2021, o governo vacinará 150 milhões de brasileiros.