O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, rebateu nesta sexta-feira, 30, as acusações feitas pelo delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva sobre sua atuação com os madeireiros na Amazônia. Segundo ele, a apresentação da notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) conta uma “história vergonhosa” com o objetivo “criar fatos que não existem”. “Tenho me mantido bastante contido em relação aos fatos porque o que consta na notícia-crime é mentira de ponta à ponta”, afirmou, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, ressaltando que as declarações buscam indiretamente atingir o presidente Jair Bolsonaro. “Essas acusações do delegado são uma tentativa ridícula de criar algum fato para me atingir e com isso atingir o presidente da República. Só que como eu não não devo nada e não fiz nada errado, tenho absoluta consciência daquilo que fiz e faço como ministro do Meio Ambiente, posso olhar na cara das pessoas como estou aqui e dizer o que eu quiser. Não devo nada para vagabundo nenhum.”

Salles esclareceu o posicionamento do governo e a motivação da reunião em Brasília, que contou a participação de senadores, deputados, além do secretário do Ministério da Justiça, procurador-geral do Estado de Roraima e outras autoridades. De acordo com ele, o foco do encontro era ouvir os madeireiros, que estavam “há 100 dias com a carga apreendida” e sem possibilidade de apresentação de uma defesa. “Eles foram à secretaria de governo pedir para ajudá-los”, declarou o chefe do Meio Ambiente, ressaltando que a posição foi meramente política. “Precisava ser dada resposta e não deixar a carga apreendida por 100, 120, 140 dias para que lá na frente, se eventualmente for ilegal, nem destinação é possível dar. E se ela for legal pior ainda, porque aí terão dado prejuízos às pessoas, desempregado na região eventualmente por uma decisão que tardou”, afirmou. “Se tiver ilegalidade puna todos eles, o que não pode é ter sentimento que estão sendo perseguidos”, completou.

Essa posição do ministro Ricardo Salles, que na visão do delegado Saraiva buscou atrapalhar o trabalho da Polícia Federal e beneficiar a atuação ilegal dos madeireiros, pode se tornar objeto de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados. Informalmente batizada como “CPI da Devastação Ambiental”, a comissão teria como foco investigar as decisões e posturas tomadas pelo ministro após a maior apreensão de madeira ilegal do Brasil. Além disso, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo, também pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma manifestação sobre o tema, considerando as acusações contra Salles de “gravidade incontestável”. Ricardo Salles, no entanto, garante que dará respostas consistentes. “Vou apresentar as minhas razões, responder as mentiras que tem sido vinculadas como retaliação, isso vai ser respondidos nos autos e a resposta é bem consistente.”