A CPI da Covid-19 ouve, na manhã desta terça-feira, 4, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. A sessão está marcada para às 10h. Este será o primeiro de uma série de depoimentos previstos para esta semana. Na tarde desta terça, será ouvido o ministro Nelson Teich, que deixou o ministério em menos de um mês. Segundo relatos feitos à Jovem Pan, Mandetta será questionado se houve interferência do presidente da República nas diretrizes apontadas, à época, pela pasta. O ex-ministro deixou o governo do presidente Jair Bolsonaro em abril de 2020, no início da crise sanitária. Os parlamentares governistas pretendem explorar orientações dadas pela equipe ministerial, entre elas, a de que as pessoas só deveriam procurar atendimento médico em caso de falta de ar – o objetivo era evitar a sobrecarga do sistema de saúde – e por que não foram adotadas barreiras sanitárias contra a doença.

“A oitiva deverá mostrar o que Mandetta fez nesse período, uma espécie de progressão epidemiológica. Ele começou sem nenhum caso no Brasil. Por isso, deve mostrar e explicar como evoluiu a doença em seu período à frente do Ministério da Saúde. Deve explicar, também, por que foi demitido e qual foi o contraponto colocado pelo presidente Bolsonaro, já que, na minha opinião, ele estava correto: defendia o isolamento social, o uso de máscaras e a testagem em massa para a identificação de casos”, disse à Jovem Pan o senador Otto Alencar (PSD-BA), um dos titulares da CPI. “Mandetta precisa dar os detalhes do que aconteceu, porque a demissão dele foi política, não foi técnica. A tese do presidente foi implantada de forma equivocada e errada, o caso da hidroxicloroquina é um exemplo disso. O ex-ministro não aceitou adotar esse protocolo. Mandetta precisa confirmar se o presidente e seus auxiliares achavam que o país ia ter imunidade de rebanho”, acrescentou.

Desde que seu depoimento foi aprovado pela CPI, Mandetta evitou dar declarações públicas. A interlocutores, porém, afirmou, nos últimos dias, que fará uma “fala técnica”. O ex-ministro sabe que será alvo da tropa de choque governista no Senado, mas pretende, através de dados e informações, fazer uma defesa de sua gestão à frente do Ministério da Saúde. “Ele não quer criar palanque político a ninguém”, afirma um correligionário do ex-ministro.