Governadores se mostraram surpresos com nova cobrança da Procuradora-Geral da República (PGR) sobre hospitais de campanha desativados. O ofício, assinado pela subprocuradora Lindôra Araújo, estabelece um prazo de cinco dias para que os Estados prestem esclarecimentos e pede, detalhadamente, quais valores foram repassados pelo governo federal e como foram distribuídos aos municípios. A Procuradoria exige ainda que a resposta seja assinada pessoalmente por cada governador.

No documento, o órgão cobra também explicações sobre gastos com insumos e equipamentos de hospitais de campanha que foram desativados. Um dos pontos que mais desagradaram governadores é o que questiona o entendimento dos representantes estaduais de que a pandemia tinha acabado entre setembro e outubro de 2020, tendo como consequência a desativação dos hospitais. Segundo a PGR, a ação culminou em perda de vidas, falta de leitos e que a verba repassada foi “mal utilizada”.

O governador do Piauí, Wellington Dias, disse que, na ocasião, os leitos foram desativados por falta de pacientes. “Qual era o sentido de ficar três, quatro, cinco, seis meses pagando por cada leito de hospital de campanha se não tinha necessidade? Infelizmente, lá na frente, mesmo com essa rede ampliada que fizemos, nós tivemos uma situação que novamente colapsou a rede em todo o Brasil”, disse. De acordo com ele, a principal causa do colapso no sistema de saúde foi a falta de mão de obra. O governador frisou que boa parte dos investimentos em hospitais de campanha foi feita com recursos dos Estados e com total transparência.

*Com informações da repórter Camila Yunes