A procuradora Carolina Rezende, afirmou, em mensagem vazada da Lava Jato, que é “preciso atingir Lula na cabeça”, em uma referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa do petista apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira, 11, uma nova sequência de conversas da Operação Spoofing, da Polícia Federal, que prendeu hackers após a invasão das contas de autoridades, como o ex-juiz Sergio Moro, o coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, e demais procuradores. No entanto, os envolvidos negam a veracidade das conversas e condenam sua utilização pela forma ilícita da obtenção.

Após acesso autorizado pelo STF, os advogados de Lula apresentaram à Corte os laudos analisados das mensagens interceptadas. No trecho atribuído à procuradora Carolina Rezende, integrante da equipe do então chefe do Ministério Público Federal, Rodrigo Janot, diz que é preciso “atingir Lula na cabeça” para “vencermos as batalhas já abertas”. “Depois de ontem, precisamos atingir Lula na cabeça (prioridade número 1), para nós da PGR, acho que o segundo alvo mais relevante seria Renan”, diz o mensagem, que faz referência a Renan Calheiros, ex-presidente do Senado. “Vamos torcer pra esta semana as coisas se acalmarem e conseguirmos mais elementos contra o infeliz do Lula”, coloca ainda. A troca de mensagens ocorreu em um grupo do Telegram em 5 de março de 2016, um dia após a condução coercitiva de Lula, em uma decisão do então juiz Sergio Moro. Ainda nessa data, a força-tarefa combinava a divulgação de uma nota em favor do ex-ministro da Justiça, em razão das críticas a sua ação contra o ex-presidente, para “não deixar um amigo apanhar sozinho”, diz um procurador.

Em outro trecho, a procuradora Carolina Rezende ressalta a postura em relação ao STF. “Não temos como brigar com todos ao mesmo tempo. Se tentarmos atingir ministros do STF, por exemplo, eles se juntarão contra a Lava Jato, não tenho dúvidas. Tá de bom tamanho, na minha visão, atingirmos nesse momento o ministro mais novo do STJ, Marcelo Navarro Ribeiro Dantas. Acho que abrirmos mais uma frente contra o Judiciário pode ser over“, finaliza. Em outra sequência, em setembro de 2016, Deltan Dallagnol conta aos colegas que se reuniu com Moro e que ele estava “irredutível” sobre o prazo da denúncia contra Lula, por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do Sítio de Atibaia. “Tem que ser feito”, avisa aos procuradores. O Ministério Público Federal acionou o Supremo Tribunal Federal após o ministro Ricardo Lewandowski conceder o acesso das mensagens à defesa do petista. Em julgamento na segunda turma do STF nesta semana, a maioria dos ministros ratificou a liberação do material apreendido pela Polícia Federal.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos