Levantamento da Locaweb mostra otimismo recorde com os negócios digitais, mas especialistas alertam para a concorrência cada vez mais acirrada
Empreender pela internet deixou de ser visto como uma alternativa ao desemprego e passou a ocupar um lugar de escolha de carreira deliberada para grande parte dos brasileiros. É o que mostra uma pesquisa recente da Locaweb, referência nacional em serviços de tecnologia, segundo a qual 77,2% dos brasileiros têm planos concretos de começar um negócio online neste ano. O otimismo em relação ao momento também aparece de forma expressiva no levantamento: 90% dos entrevistados acreditam que 2026 será um ano promissor para quem decide empreender no ambiente digital, e 60% já pretendem lançar um novo projeto até dezembro, enquanto 17,2% planejam expandir negócios que já existem.
Esse movimento acontece em um contexto de forte conectividade no país. O Brasil conta atualmente com 183 milhões de pessoas com acesso à internet, o que representa 86,2% de toda a população, segundo dados citados pela Serasa Experian. Desse total, 144 milhões usam redes sociais de forma ativa, o que consolida essas plataformas como canais centrais de descoberta de produtos, relacionamento com marcas e, cada vez mais, fechamento direto de vendas. Essa base gigantesca de usuários conectados cria um ambiente fértil para novos empreendedores, mas também eleva o nível de exigência do consumidor, que está cada vez mais habituado a comparar preços, ler avaliações e esperar uma experiência de compra rápida e personalizada antes de decidir fechar negócio com uma marca.
Tecnologia, saúde e moda lideram os nichos mais promissores
Segundo a pesquisa da Locaweb, o mercado digital brasileiro amadureceu e os nichos de maior potencial ficaram mais específicos do que em anos anteriores. Tecnologia e inovação aparecem no topo das áreas mais promissoras, citada por 61% dos entrevistados, contemplando principalmente startups voltadas a inteligência artificial, cibersegurança e softwares de automação vendidos por assinatura. Na sequência aparece o segmento de saúde e bem-estar, mencionado por 51,2% dos participantes, impulsionado por serviços como telemedicina de nicho, suplementos personalizados e produtos voltados ao bem-estar mental, e moda e beleza, citada por 48,2%, com destaque para vestuário sob medida, cosméticos com apelo sustentável e produtos chamados de bio-tech.
Apesar do otimismo generalizado, os próprios entrevistados reconhecem que empreender online em 2026 exige mais planejamento do que em anos anteriores. Segundo a pesquisa, o maior desafio apontado não é mais a falta de acesso à tecnologia, e sim o excesso de concorrência em um mercado onde a inteligência artificial reduziu drasticamente as barreiras de entrada para criar uma loja virtual ou produzir conteúdo. Nesse cenário, especialistas ouvidos pela reportagem da Wehsoft destacam que negócios baseados em dropshipping genérico, sem nenhuma diferenciação de marca, tendem a ter dificuldade para se manter, enquanto o lucro real está cada vez mais concentrado em nichos onde o empreendedor consegue construir uma comunidade fiel em torno de sua marca.
Ferramentas essenciais e o desafio de dominar a inteligência artificial
Uma segunda pesquisa da Locaweb, feita com 500 brasileiros adultos e conectados à internet em todas as regiões do país, aprofunda quais recursos são considerados indispensáveis para quem pretende começar ou expandir um negócio digital em 2026. O levantamento aponta a adaptação à inteligência artificial e a novas tecnologias como o maior desafio citado pelos empreendedores, mencionado por 63,8% dos participantes, seguido pela alta concorrência, com 57,6%, e pela dificuldade de construir credibilidade junto ao público, apontada por 42,2%.
Para superar esses obstáculos, o próprio uso estratégico da inteligência artificial aparece como a principal vantagem competitiva citada pelos entrevistados, mencionada por 75,8% deles, seguida pelo domínio de marketing digital e redes sociais, com 63,4%, e por habilidades de vendas e tráfego pago, com 46%. O resultado reforça uma tendência já observada em outras pesquisas do setor: a combinação entre tecnologia, comunicação e estratégia comercial se tornou o principal diferencial competitivo para quem deseja se destacar em um ambiente digital cada vez mais saturado de ofertas semelhantes.
Modelos de negócio em alta e a ascensão dos solopreneurs
Entre os formatos de negócio digital que mais crescem no Brasil, destacam-se os marketplaces, que funcionam como grandes vitrines virtuais e oferecem estrutura e tráfego já prontos para quem quer testar produtos com menor risco, além do social commerce, que une conteúdo, relacionamento e compra imediata dentro de redes sociais como Instagram e TikTok. Cursos online, e-books e webinars também seguem em expansão, impulsionados pela busca constante de consumidores por aprendizado prático e acessível. Já entre empreendedores com habilidades técnicas mais específicas, o desenvolvimento de softwares por assinatura, como ferramentas de CRM e automação, segue como um dos modelos mais escaláveis do ambiente digital, por gerar receita recorrente e previsível ao longo do tempo.
Um fenômeno que ganha força em 2026 é o surgimento dos chamados solopreneurs, empreendedores individuais que conseguem gerenciar operações de alto faturamento contando com o apoio de assistentes de inteligência artificial em tarefas que antes exigiriam uma equipe inteira. Segundo reportagem da revista A Revista, cresce também a demanda por consultorias especializadas em implementação de automações de inteligência artificial dentro de pequenas e médias empresas, já que muitos negócios reconhecem a necessidade de usar essas ferramentas, mas não sabem exatamente por onde começar, abrindo espaço para profissionais capazes de traduzir tecnologia em resultado prático.
Pequenos negócios avançam na digitalização, mas ainda dependem de poucos canais
Dados da pesquisa de Transformação Digital dos Pequenos Negócios, realizada em parceria entre Sebrae, FGV e Google, mostram que a proporção de pequenos negócios brasileiros que vendem por redes sociais, aplicativos ou internet saltou de menos de 60%, antes da pandemia, para perto de 75%, patamar que se mantém estável até o início de 2026. Entre os canais mais utilizados por esses pequenos empreendedores para vender online, destacam-se WhatsApp, Instagram e Facebook, plataformas que, além de baixo custo de entrada, já fazem parte da rotina digital da maior parte da população brasileira.
Esse cenário mostra que, embora a tecnologia tenha se tornado mais acessível do que nunca, o sucesso de um negócio digital em 2026 depende cada vez menos de escolher a ferramenta certa e cada vez mais de resolver um problema real para um público bem definido. Especialistas do Sebrae reforçam que o segredo está em escolher um canal principal de venda, evitando a dispersão em múltiplas plataformas ao mesmo tempo, e em manter consistência na comunicação com o público ao longo do tempo. Para quem está começando agora, o recado que se repete entre os especialistas consultados é direto: a barreira de entrada nunca foi tão baixa, mas a diferenciação de marca, a proximidade com o cliente e o uso inteligente da tecnologia é que vão definir quem consegue transformar uma boa ideia em um negócio sustentável.
Fontes consultadas:
- https://wehsoft.com/blog/empreendedorismo-online-brasil-2026
- https://forbes.com.br/forbes-tech/2026/01/as-ferramentas-que-vao-definir-o-empreendedorismo-na-web-em-2026/
- https://www.serasaexperian.com.br/conteudos/negocios-digitais/
- https://datasebrae.com.br/transformacao-digital/
- https://arevista.com.br/negocios/5-negocios-digitais-que-estao-crescendo-em-2026-e-ainda-tem-espaco-para-iniciantes/
