A inteligência artificial passou a ocupar uma posição mais estratégica no planejamento da Black Friday 2026. Para as agências, a tecnologia deixou de ser vista apenas como recurso para criar anúncios, imagens ou textos e começou a influenciar uma etapa anterior da jornada de compra: a descoberta de produtos, marcas e ofertas consideradas pelo consumidor.
O movimento é sustentado por mudanças no comportamento dos brasileiros conectados. Segundo pesquisa Nova Lógica de Compra, conduzida pela Gauge, Ecglobal e W3haus em parceria com a First Answer, nove em cada dez consumidores brasileiros com acesso à internet já utilizam ferramentas de inteligência artificial durante compras. O levantamento mostra ainda que 52% pretendem ampliar esse uso nos próximos meses.
Outro dado reforça o impacto sobre a disputa por atenção no ambiente digital: 90% dos entrevistados afirmam ter conhecido novas marcas por meio de plataformas de IA. A informação amplia o debate sobre visibilidade no comércio eletrônico, já que a marca pode ser apresentada ao consumidor por uma resposta automatizada antes mesmo de ele chegar a um buscador, marketplace ou rede social.
IA muda o início da jornada de compra
Tradicionalmente, o planejamento de Black Friday se concentrou em mídia paga, promoções, redes sociais, mecanismos de busca e vitrines digitais. Esses canais continuam relevantes, mas a pesquisa indica que as ferramentas de IA passaram a participar da consideração de compra. Em vez de procurar diretamente por uma loja, o consumidor pode recorrer a uma plataforma para comparar alternativas, entender características de produtos ou encontrar novas marcas.
Essa mudança exige que as empresas organizem melhor as informações que apresentam nos próprios sites, marketplaces e demais canais digitais. Preço, prazo, atendimento e confiança continuam entre os fatores que influenciam a decisão, mas passam a precisar ser comunicados de forma clara e consistente para consumidores e sistemas capazes de interpretar e resumir ofertas.
Para as agências, o desafio está em conectar criação, mídia, conteúdo e dados em uma estratégia que comece antes do pico promocional. A presença de uma marca durante a Black Friday não depende somente do anúncio publicado no período de maior concorrência, mas também da relevância construída nos ambientes em que o público busca referências e recomendações.
Relevância antes do pico promocional
O calendário da Black Friday costuma concentrar investimentos e mensagens comerciais em um intervalo curto. A influência da inteligência artificial, porém, desloca parte do trabalho para uma fase anterior: tornar produtos, serviços e marcas compreensíveis e encontráveis nos canais digitais que participam da pesquisa do consumidor.
O dado de que 52% dos participantes pretendem aumentar o uso de IA nos próximos meses aponta para uma possível expansão desse comportamento até a temporada promocional de 2026. Com mais consumidores recorrendo a essas ferramentas, a disputa pela recomendação pode se somar à disputa por posições em buscadores, espaço em marketplaces e alcance em plataformas sociais.
O cenário também afeta pequenos e médios negócios. Durante a Black Friday, essas empresas já competem pela atenção com grandes varejistas, que normalmente têm maior capacidade de investimento em mídia e estoque. A presença em respostas geradas por IA acrescenta uma camada à concorrência: além de anunciar, é necessário apresentar informações organizadas e sinais de confiança capazes de colocar a marca entre as opções consideradas.
Isso não significa abandonar os canais tradicionais de publicidade digital. A transformação está na forma de integrá-los. Campanhas, páginas de produto, avaliações, condições de entrega e atendimento passam a compor uma experiência única, na qual cada ponto de contato pode contribuir para que o consumidor reconheça a marca e avance na decisão de compra.
Projeção reforça importância do comércio eletrônico
A relevância desse movimento acompanha o peso econômico esperado para a temporada. O E-Commerce Brasil informou que o comércio eletrônico deve faturar 20,7% a mais na Black Friday 2026, segundo projeção da Neotrust. A estimativa ajuda a explicar por que marcas, varejistas e agências estão antecipando decisões sobre canais, conteúdo e relacionamento com o público.
Em reportagem publicada em 30 de outubro de 2026, o Meio & Mensagem relacionou os dados da pesquisa às mudanças no planejamento das agências para a data. O foco deixa de estar apenas na produção de peças promocionais e passa a incluir a maneira como a inteligência artificial participa da descoberta e da avaliação de marcas.
Para o mercado de publicidade online, a principal consequência é a ampliação dos pontos em que uma empresa precisa ser relevante. A Black Friday 2026 será disputada em anúncios, redes sociais, lojas virtuais e marketplaces, mas também em interfaces que respondem diretamente às dúvidas do consumidor. Nesse ambiente, clareza das informações, consistência da marca e confiança ganham valor estratégico ao lado do desconto.
