Taiza Tosatt Eleoterio ressalta que todo mundo passa por períodos de estresse, mas que nenhum estresse justifica humilhar, controlar ou assustar alguém. Em relacionamentos abusivos, porém, é comum que a pressão do trabalho, do dinheiro ou da vida seja usada como explicação para o comportamento do parceiro, e que a mulher passe a se sentir responsável por manter a casa tranquila e o humor dele sob controle.
Aos poucos, ela deixa de perguntar o que sente e passa a perguntar o que pode fazer para não piorar o dia. Entender essa troca de responsabilidades ajuda a enxergar o que realmente pesa sobre a mulher e a acolher quem vive essa situação sem julgamento.
Quando o estresse do parceiro vira responsabilidade da mulher
Estresse é uma experiência comum, e conviver com ele exige paciência de todos. A diferença aparece no que se faz com ele. Quando o parceiro usa o cansaço como motivo para gritar, desprezar ou controlar, e a mulher é chamada a compensar, o que era um peso individual passa a ser tratado como uma dívida dela.
Na avaliação de Taiza Tosatt Eleoterio, essa inversão costuma ser sutil no início. O pedido por silêncio, por casa organizada e por ausência de atritos parece razoável, até que se torna uma exigência constante sobre a mulher.
Frases que transferem a culpa
Algumas frases se repetem nesse tipo de relação: “se você não tivesse feito isso, eu não estaria assim”, “você sabe que eu estou cansado”, “depois de tudo o que passei hoje, ainda tenho que ouvir isso”. Ditas muitas vezes, elas deslocam a responsabilidade pelo comportamento de quem age para quem recebe.
Com o tempo, a mulher passa a acreditar que provoca as reações do parceiro. Ela revisita o que disse e o que fez, procurando o erro que explicaria a cena, e raramente se pergunta se ele realmente existiu.
Andar na ponta dos pés: a vigilância constante
Para evitar o estresse do parceiro, a mulher aprende a antecipar. Ela observa a chave na porta, o tom de voz ao chegar, o jeito de largar a bolsa, e ajusta a casa e as crianças a esse humor. Esse trabalho de leitura constante é cansativo e raramente é visto.
Viver em estado de alerta tem um custo, frisa Taiza Tosatt Eleoterio. A atenção que sobra para o parceiro falta para si mesma, e a mulher pode perder o contato com o que gosta, com o que sente e com o que precisa.
O efeito sobre a autoestima e a saúde mental
Sentir-se responsável pelo humor do outro desgasta a autoestima. A mulher passa a se enxergar como a causa dos problemas e a duvidar da própria capacidade de acertar. Cansaço, ansiedade, tristeza e irritação podem surgir, assim como o afastamento de amigos e familiares por vergonha de explicar o que acontece.
Esse quadro, sinaliza Taiza Tosatt Eleoterio, não indica fragilidade da mulher, e sim o efeito de conviver com uma pressão contínua. A dependência emocional também pode crescer, porque a aprovação do parceiro passa a parecer condição para a casa ficar em paz.
Separar cuidado de obrigação
Cuidar de quem se ama é natural e faz parte de qualquer relação. Obrigação é outra coisa: é quando a mulher é a única responsável por regular o humor do outro, sob pena de consequências. Distinguir as duas ajuda a perceber que oferecer apoio é uma escolha, e não um dever que depende do estado emocional de ninguém.
Conversar com pessoas de confiança e buscar escuta profissional ajudam a recuperar essa distinção, aponta Taiza Tosatt Eleoterio. Quando a mulher tem com quem falar, passa a enxergar que o estresse do parceiro é dele, e que a responsabilidade pelo próprio comportamento também.
A responsabilidade pelo comportamento é de quem o tem
O estresse do parceiro, por mais real que seja, não explica nem justifica a humilhação, o controle ou o medo dentro de casa. A mulher não é responsável por administrar o humor de ninguém, e reconhecer isso é um passo importante para recuperar a confiança em si.
Acolher a mulher é o melhor caminho para que ela volte a se sentir segura. Como lembra Taiza Tosatt Eleoterio, quando a mulher encontra escuta, informação e apoio, ela passa a enxergar que o cuidado que tinha com o outro também merece ser dirigido a ela, e que a casa pode ser um lugar de descanso para todos.
