O universo do Cavalo Crioulo é marcado por eventos de grande relevância, e, segundo o empresário e fundador Aldo Vendramin, nenhum deles possui o peso e a tradição do Freio de Ouro. Reconhecida como a mais importante competição de habilidades da raça, essa disputa reúne anualmente os melhores exemplares e cavaleiros, consagrando não apenas campeões, mas também reforçando a importância cultural e econômica do cavalo no Brasil e em países vizinhos.
Origem e propósito do Freio de Ouro
O Freio de Ouro nasceu no final da década de 1970, idealizado pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) como uma forma de preservar e valorizar as características funcionais e morfológicas da raça. De acordo com Aldo Vendramin, o objetivo sempre foi selecionar animais completos, capazes de aliar beleza, força, agilidade e submissão ao cavaleiro. Desde então, a competição se consolidou como um verdadeiro teste de aptidão, que vai muito além de uma simples prova esportiva.

Estrutura e etapas da competição
Ao longo do ano, diversas etapas classificatórias acontecem em diferentes regiões do país e no exterior, reunindo competidores que buscam a vaga para a grande final na Expointer, em Esteio (RS). Conforme aponta Aldo Vendramin, essa fase preparatória é fundamental para avaliar a regularidade e o desempenho dos animais em diferentes contextos. Nas provas, os cavalos são submetidos a testes morfológicos, que analisam conformação física e harmonia, e a provas funcionais, que medem resistência, velocidade, precisão e obediência.
A grande final na Expointer
A final do Freio de Ouro é um espetáculo à parte. Realizada durante a Expointer — uma das maiores feiras agropecuárias da América Latina —, ela atrai milhares de espectadores e é transmitida para diferentes regiões. As provas finais incluem manobras de alta exigência, como esbarros, giros, apartações e corridas controladas. Assim como frisa Aldo Vendramin, é nesse momento que se comprova o resultado de anos de seleção, treinamento e dedicação, tanto dos criadores quanto dos cavaleiros.
Importância cultural e econômica
Mais do que uma competição, o Freio de Ouro é uma celebração da cultura campeira. O evento valoriza tradições gaúchas, preserva práticas históricas de manejo e reforça o papel do Cavalo Crioulo no trabalho de campo. Economicamente, movimenta um setor robusto que envolve criação, treinamento, genética e comércio de animais, além de gerar oportunidades para profissionais ligados ao esporte e ao agronegócio.
Evolução e reconhecimento internacional
Com o passar dos anos, o Freio de Ouro ultrapassou fronteiras. Hoje, competidores do Uruguai, Argentina e Paraguai participam ativamente, tornando o evento um ponto de encontro internacional para criadores e entusiastas da raça. A padronização de regras e a excelência técnica da competição consolidaram sua reputação fora do Brasil, abrindo espaço para uma valorização ainda maior do Cavalo Crioulo no mercado global.
O legado para a raça
O impacto do Freio de Ouro na melhoria genética do Cavalo Crioulo é indiscutível. Animais campeões se tornam referência em reprodução, transmitindo suas qualidades para novas gerações. Conforme destaca Aldo Vendramin, essa seleção criteriosa garante que a raça mantenha suas características originais de rusticidade e funcionalidade, ao mesmo tempo em que se adapta às exigências de um mercado moderno e competitivo.
A história do Freio de Ouro é uma narrativa de tradição, técnica e paixão pelo Cavalo Crioulo. Desde sua criação, o evento evoluiu para se tornar um ícone do agronegócio e da cultura gaúcha, reconhecido nacional e internacionalmente. Ao unir provas rigorosas, valorização cultural e impacto econômico, o Freio de Ouro segue como um dos mais importantes instrumentos para preservar e promover uma das raças mais emblemáticas do continente.
Autor: Ayla Pavlova